Ela
é a Dona da Alegria
Por Cássio
Cavalcante/ Fotos: Angélica Souza
No início, pouca gente sabe
disso, ela fazia a linha Nara Leão, com direito à franja e violão debaixo do
braço, até registrou esse momento em uma foto no quintal de sua casa em Cataguases,
interior mineiro. Mas a cidade natal onde pousou a moda da musa não tinha como
acontecer artisticamente, foi para o Rio de Janeiro, como todo o início foi difícil,
cantava em casas de show’s e no teatro de Revista com nomes como Leila Diniz.
Mas o sucesso lhe veio na inesquecível era dos festivais, cantando a música de
Jorge Ben Jor, “Fio Maravilha”. Quando se fala em grandes impactos visuais em
nossa MPB, lembra-se logo no conjunto “Secos e Molhados”, mas quem não se
admirou nos anos de 1970 com uma mulher cantando careca, ela lembra: "E eu era mulher e sozinha". Ousou, e fez isso
quando era perigoso fazer.
Agora nos chega, pelo maravilhoso
espaço Caixa Cultural Recife, sim, repito, maravilhoso, essa é a palavra. O
show “Asa Branca” que teve sua estreia em 2012 nas comemorações dos cem anos do
rei vaqueiro de nossa música Luiz Gonzaga. Já somam mais de 90 apresentações
pelo Brasil afora. Nunca uma mineira vestiu-se tão bem com a alma nordestina.
Para começar a canção “Asa Branca”,
só voz e sanfona, de arrepiar. Mas a interprete contando “Paraíba” de braços
aberto, o palco é dela e também toda a música popular brasileira. Com uma luz
bem feita na medida certa onde se faz o que tem que ser feito, realçar a
estrela maior em movimento. Acompanhada de Olívio Filho no Acordeon, ele fez os
arranjos, Leandro Brenner no violão sete cordas e Wander Prata Bateria, ela é a
dona da festa não só canta e dança, mas nos convida a bailar com ela, e
gostamos disso.
O repertório é uma galeria dos clássicos
do filho de Januário, como uma apetitosa receita que expulsa os homens da
cozinha em “Baião de Dois”. E aí tome forro com “Respeita Januário”, “Que nem Jiló”,
“Sabiá”, “Xamego”, “Numa Sala de Reboco”.
Com “Olha Pro Céu”, nos embala e
nos remete as nossas inesquecíveis festas juninas de uma infância que não
existe mais. Mas com “Pagode Russo”, fica elétrica e nos contagia a todos de
uma certeza plena de estarmos no lugar certo e na hora certa. Diante de tanta
seriedade vocal o humor é um gostoso aperitivo a parte.
A idealização e direção artística
de Fran Carlo foi certeira. A produção executiva de Petterson Mello eficiente e
o técnico de som Leonardo Chain fez bem o seu trabalho. Aqui em Pernambuco a
produção local foi da “Mulucum Produções” e assessoria “Zuela Comunicações”.
É daqueles show’s que quando
termina, saímos com vontade de viver, pois nos passa a agradável sensação de
que estamos vivos.








