domingo, 14 de agosto de 2016

SHOW ASA BRANCA COM MARIA ALCINA NO CAIXA CULTURAL RECIFE

Ela é a Dona da Alegria  
     
Por Cássio Cavalcante/ Fotos: Angélica Souza


No início, pouca gente sabe disso, ela fazia a linha Nara Leão, com direito à franja e violão debaixo do braço, até registrou esse momento em uma foto no quintal de sua casa em Cataguases, interior mineiro. Mas a cidade natal onde pousou a moda da musa não tinha como acontecer artisticamente, foi para o Rio de Janeiro, como todo o início foi difícil, cantava em casas de show’s e no teatro de Revista com nomes como Leila Diniz. Mas o sucesso lhe veio na inesquecível era dos festivais, cantando a música de Jorge Ben Jor, “Fio Maravilha”. Quando se fala em grandes impactos visuais em nossa MPB, lembra-se logo no conjunto “Secos e Molhados”, mas quem não se admirou nos anos de 1970 com uma mulher cantando careca, ela lembra: "E eu era mulher e sozinha". Ousou, e fez isso quando era perigoso fazer.

Agora nos chega, pelo maravilhoso espaço Caixa Cultural Recife, sim, repito, maravilhoso, essa é a palavra. O show “Asa Branca” que teve sua estreia em 2012 nas comemorações dos cem anos do rei vaqueiro de nossa música Luiz Gonzaga. Já somam mais de 90 apresentações pelo Brasil afora. Nunca uma mineira vestiu-se tão bem com a alma nordestina.

Para começar a canção “Asa Branca”, só voz e sanfona, de arrepiar. Mas a interprete contando “Paraíba” de braços aberto, o palco é dela e também toda a música popular brasileira. Com uma luz bem feita na medida certa onde se faz o que tem que ser feito, realçar a estrela maior em movimento. Acompanhada de Olívio Filho no Acordeon, ele fez os arranjos, Leandro Brenner no violão sete cordas e Wander Prata Bateria, ela é a dona da festa não só canta e dança, mas nos convida a bailar com ela, e gostamos disso.

O repertório é uma galeria dos clássicos do filho de Januário, como uma apetitosa receita que expulsa os homens da cozinha em “Baião de Dois”. E aí tome forro com “Respeita Januário”, “Que nem Jiló”, “Sabiá”, “Xamego”, “Numa Sala de Reboco”.

Com “Olha Pro Céu”, nos embala e nos remete as nossas inesquecíveis festas juninas de uma infância que não existe mais. Mas com “Pagode Russo”, fica elétrica e nos contagia a todos de uma certeza plena de estarmos no lugar certo e na hora certa. Diante de tanta seriedade vocal o humor é um gostoso aperitivo a parte.

A idealização e direção artística de Fran Carlo foi certeira. A produção executiva de Petterson Mello eficiente e o técnico de som Leonardo Chain fez bem o seu trabalho. Aqui em Pernambuco a produção local foi da “Mulucum Produções” e assessoria “Zuela Comunicações”.

É daqueles show’s que quando termina, saímos com vontade de viver, pois nos passa a agradável sensação de que estamos vivos.









Um comentário:

  1. Excelente e realista, seu texto.Alcina é das maiores e mais originais artistas brasileiras. É única e está sempre atual e se renovando. Diria até que é a maior, porque, assim como Carmem Miranda e Ney Matogrosso, cada um no seu estilo singularíssimo, e de enorme talento, são artistas talentosíssimos, nascidos para serem INAUGURAIS , IRREPETÍVEIS , OUSADOS E INULTRAPASSÁVEIS. Sempre, desde o início, deslumbrei-me com o avassalador potencial artístico da divALCINA. Uma força da natureza é das raríssimas artistas de exceção no planeta. Fenomenal. Estou "doidim" rs pra ver esta maravilha "gonzagalcina".Voz poderosa, carismática e muiiiiiita energia ou astral alcina. Uma presença sensacional e e xuberante, que causa milhões de calores em todas as “bacurinhas” do universo. É difícil encontrar hoje em dia um show onde a estrela seja o espetáculo por si mesma. Alcina faz sozinha o que dezenas de “divas” só fariam se fossem muito bem produzidas. E ainda há a brasilidade carnavalizante que torna a diva Maria Alcina tão especial e única, esbanjando sangue "negro" e "índio", com figurinos e performances transgressores, além da irreverência e ousadia magnetizantes. Sou , repito, desde sua aparição meteórica no Maracanazinho,admirador do talento extraordinário dela.

    ResponderExcluir