O Poeta e o
Jornalista em um só Corpo
Por Cássio
Cavalcante/ Fotos: internet
A palavra é o elo que une esse
ser seja no competente jornalismo que realiza ou na criativa poesia que produz.
Claufe Rodrigues tem no universo das letras o seu mundo.
Em que
momento da tua vida te veio a certeza de que você seria um jornalista?
Foi quando eu percebi que de
poesia eu não conseguiria viver. Então veio a época do vestibular e,
pesquisando as carreiras universitárias, vi que Jornalismo tinha currículo
menos específico do que, por exemplo, Letras. Vi que me tornar um “especialista
em assuntos gerais” – na feliz definição de Décio Pignatari – era o melhor
caminho para viver de escrever.
Na tua
profissão qual é a tua maior realização com a notícia?
Rapaz, já fiz tanta coisa...
Programas, séries, especiais, documentários... Poderia citar a direção de um
especial sobre o Riocentro para o Globo Repórter, pelo qual ganhei com a equipe
o prêmio Wladimir Herzog, as séries documentais sobre Fernando Pessoa, Machado
de Assis, Euclides da Cunha, todas as matérias sobre Jorge de Lima, as
entrevistas com Eduardo Galeano, Pepetela, Vargas Llosa, António Lobo Antunes,
José Saramago, Eugénio de Andrade e agora, na Flip, com Svetlana Alexiévitch.
Teve ainda o Palavrão, primeiro programa da TV brasileira especialmente
dedicada à poesia, enfim... Possivelmente estou esquecendo algo muito
importante – sim! O especial que fiz no Benim sobre os retornados brasileiros,
ex-escravos que retornaram à África.
Qual a tua
opinião sobre o futuro do jornal impresso?
Acho que hoje tudo é uma grande
novidade, mas, quando a poeira baixar, vamos ver o que vai ser varrido do mapa.
Aliás, se fôssemos projetar hoje o futuro do próprio jornalismo, os
prognósticos seriam péssimos. Mas creio que, passada a onda virtual, ganharemos
novos suportes para o ofício, sem perder os que já existem.
Em você o jornalista e o poeta são seres distintos, ou em algum momento
essas duas escolhas se entrelaçam em sua vida?
Para mim é tudo junto e separado
ao mesmo tempo. Sou um só ser que se manifesta através de várias formas de
expressão. Cada uma delas demanda uma linguagem específica, que pode
eventualmente ser transgredida. Mas o certo é que quando faço poesia, é poesia
mesmo; quando escrevo matérias jornalísticas, evito o texto “poético”. Por
outro lado, é inegável que o poeta e o jornalista se retroalimentam e me dão
uma identidade única tanto numa como noutra função.
Você
participou de muitos grupos como, Bandidos do Céu, Bazar do Baratos,
Madame Suzi, Os Camaleões, Ver o Verso. Qual a importância desses grupos
em tua jornada poética?
Ter um grupo de poesia era muito
importante numa determinada época. Para mim, significavam a possibilidade de me
lançar em bases firmes e abrangentes, sem me expor tanto, e de divulgar a
poesia para um público bem maior.
Nessas três
décadas dedicadas a poesia o que mais lhe realizou?
Não saberia dizer. Tenho onze
livros, fiz uma enciclopédia sobre a poesia brasileira no século XX, organizei
um sem-número de eventos literários, tive grupos importantes como Os Camaleões
e o Ver o verso, ajudei um monte de gente a encontrar seus caminhos na poesia,
conquistei muitos amigos, faço um programa sobre literatura, expandi as
fronteiras da minha poesia para a prosa e a música e continuo em frente,
querendo realizar cada vez mais.
Fala um pouco
do programa que você apresenta, Palavrão Literatura, e quais os resultados
obtidos com esse evento?
O Palavrão é um laboratório de
arte, em que convidamos artistas de várias áreas (mas todos ligados ao livro e
à literatura) e desenvolvemos nossas próprias habilidades, especialmente na
música. Sobretudo, é um movimento de resistência à pobreza do lepo-lepo em
que se tornou nosso meio cultural.
O que você
ainda não fez como jornalista e como poeta, mas que pretende realizar?
Tudo: discos, livros de poesia,
romances, shows, eventos, filmes... Você só não me verá nunca fazendo teatro ou
artes plásticas – não tenho a menor habilidade nesses ofícios.




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