sábado, 27 de fevereiro de 2016

MARY DEL PRIORE

Porque contar nossa história é preciso

Por Cássio Cavalcante/ Fotos: internet

Com 45 livros publicados nos conta nossas sagas numa narrativa que envolve e empolga na descoberta de quem somos. Mary Del Priore conduz ao passado para a descoberta do presente.


Foi difícil a decisão de deixar a carreira de professora universitária para se dedicar a jornada de escritora?

Não, quando deixei a carreira acadêmica o fiz pois achava que tinha pouco a oferecer em sala de aula e muito mais a pesquisar e escrever para o grande público. Foi uma atitude pensada e que só me traz alegrias.

Por que contar a história?

Porque se não soubermos quem fomos, jamais saberemos quem somos.

Sendo uma premiada autora, como esses reconhecimentos refletem em seu processo literário?

Permitindo-me viver momentos de partilha, de troca e de transmissão com meus leitores e companheiros de jornada. São aliás tais momentos que me inspiram para novos livros.

Qual a importância do nordeste brasileiro na história de nosso país?

O grande Clarival do Prado Valladares decretou faz tempo: o Brasil nasce no Nordeste. É fato. Além do que, nasce no Nordeste o maior escritor e historiador brasileiro: Gilberto Freyre. Autor de uma obra de talento, ele tem o maior de todos: inspirar outros talentos. 

De todas as personagens de nossa história qual a que mais lhe fascina?

Aquele sobre o qual vou escrever ou biografar proximamente.

O acontecimento íntimo tem forte importância na formação histórica de toda a humanidade. Como foi essa influência aqui no Brasil?

A noção de intimidade vai ter a sua singularidade entre nós. Ela foi construída na contramão da precariedade e da pobreza em que viveram nossos antepassados. Marcada pela presença da escravidão, da carência de saneamento, educação, água e saúde, apenas em meados do século XIX e nos grandes centros, os brasileiros terão oportunidade de ter um cotidiano minimamente semelhante ao das capitais européias. Meu próximo livro, a ser lançado em abril, trata do assunto com detalhes (História da Gente Brasileira – editora Leya).

Como foi a tua infância? Essa paixão pela história já te visitava nessa época tão importante na formação de todos nós?

Uma infância entre livros. Eles sempre foram os meus melhores amigos, uma porta aberta para outros mundos, uma passagem para o universo ilimitado da imaginação.

Como historiadora você acompanha o Brasil ao longo de toda a sua história. Você acredita ainda em nossa nação como promissora? O nosso país terá um futuro glorioso?

Não sou pessimista, apenas realista: enquanto não tivermos governo e também sociedade que priorize a educação, a escola, o professor e a leitura, continuaremos no “fim do mundo”. E continuaremos formando “consumidores” e não “cidadãos”.





domingo, 21 de fevereiro de 2016

ÁLAMO FACÓ

Um artista desde sempre

Por Cássio Cavalcante/ Fotos: internet

Com apenas 34 anos já conta 20 anos de carreira. Mas faz questão de manter no brilho do olhar o frescor de quem está começando. Para Álamo Facó ser ator é um ato natural desde os primeiros tempos de escola, quando já era apontado como um profissional.


Você começou cedo. Aos 11 anos já atuava e escrevia para o teatro no “Tablado”.  Aos 14 tirou seu registro profissional de ator. Aos 17 passou um ano na Inglaterra estudando Artes Cênicas. Toda essa precocidade te ajudou a se firmar como ator?

Ajudou. Eu acho que isso é definitivo. Algumas pessoas começam mais tarde. Alçam voos arriscados. Mas na minha história foi fundamental.

 Você fez “A Turma do Pererê”, foi Alan (o macaco). Fez o Sítio do Picapau Amarelo. Na formação de sua personagem Quequé, você sugeriu que fosse estrábico, com isso o tornando mais ingênuo e com maior identificação com as crianças. Você tem um olhar especial para o público infantil?

Eu tenho um filho de três anos. Acho que isso não foi de uma forma consciente. Organicamente foi acontecendo essa identificação do público mais novo com o Quequé e no Pererê. Eu cheguei a ficar mais de um ano no Sítio quanto era o Carlos Manga diretor de núcleo e Ulysses Cruz na direção geral. Então isso foi se dando de forma natural. E tenho um carinho especial com certeza com as crianças.

Você teve muitos mestres. A memorável Maria Clara Machado, Amir Haddad, Domingos de Oliveira, Juliana Carneiro da Cunha e Enrique Diaz. Sua formação seria um misto de todos eles?

 Seria. Eu comecei no tablado, ali foi onde eu comecei a ver companhia de teatro amadora. E a Maria Clara Machado era referência para gente de pessoa, de caráter, de criadora, de artista. Era uma referência forte. E o Enrique Diaz ele completa isso porque na época de grande potência criativa na companhia de atores aqui no Rio eu era um adolescente estudante de teatro. Eu frequentava as oficinas da Companhia de atores, eu frequentava as peças. Então meu primeiro solo foi dirigido por César Augusto que é da Companhia de atores. Ele dirige comigo o “Mamãe”, também. É uma coisa que vai se completando.

Acredito que sua personagem, o inesquecível Quequé, do núcleo cômico da novela “Lado a Lado”. Foi muito marcante em sua carreira. Como foi fazê-lo?
                               
Olha, eu fui na primeira leitura da novela em um hotel na Barra com todos os autores. João Ximenes Braga apontou e falou na frente de todo mundo: “ O Quequé é o tal da novela. Ele é um personagem engraçado então pode se jogar. Solte os palhaços aí”. E apesar dele ser vesgo, um bobão, um pargo. Eu tentava trazer sempre a humanidade dele. Acho que esse era o segredo. Não ficar na forma. Ele vinha como um desajeitado, sempre buscando a humanidade dele lá no fundo.

Geralmente um jovem quando se decide por ser ator, gera na família uma preocupação devido a instabilidade da profissão. Como foi a resposta da sua família pela decisão de atuar?

Com 7, 8 anos de idade, já tinha peças na escola e talvez por eu ser meio diferente, engraçado, já me chamavam para fazer a personagem de destaque da peça. Apontaram o dedo para mim quando tinha 9 anos, e um adulto disse: “Você é ator. Eu nem vou dar parabéns, você é ator”. Falou no final de uma peça. Mas até hoje eu estou aprendendo. Me sinto com o frescor de quem está começando. O desejo de fazer um trabalho diferente, de fazer uma peça diferente. Ele vem com o brilho do olhar de quem está começando. Nunca bati no peito: “Eu tenho 20 anos de carreira”. Tô com 34 anos comecei com 14. Minha mãe sempre foi uma amante das artes. Sempre me apoiou muito. Era uma apaixonada pelo teatro. Via mais peças em cartaz do que eu. Era bem fervorosa do amor dela pelas artes. Meu pai também me apoiou, ele chegou a ser do meio da música. Chegou a ser músico profissional. Mas pela dificuldade financeira foi fazer faculdade de economia. Trabalhou no BNH, depois a Caixa. Ele era economista da Caixa Econômica Federal. Ele não chegou a seguir carreira. Ainda pegou uma época que era muito difícil.

Twitter, Facebook, redes sociais são a mania do momento. Qual o seu uso dessas ferramentas?

Eu uso mais o Facebook e o Instagram. O Twitter eu não entrei porque comecei a ver que tomava muito tempo do dia a dia. Tenho um filho de 3 anos e muita coisa para fazer como ator e artista independente. O Facebook eu uso para divulgar peças e também para expor pensamentos. Sou muito informado com as injustiças do mundo. Qualquer causa dos direitos humanos me identifico e me envolvo. Entro na linha de frente, tenho até que tomar cuidado. Com qualquer injustiça, qualquer minoria vai me afetar e me deixar comovido. Então uso para trabalho e para expor pensamentos.

Sua formação inicial foi no teatro. Qual a personagem que você sonha interpretar nos palcos?

O que me veio à cabeça enquanto você falava me veio o “Hamlet”. Mas tenho uma dúvida se é um clichê de minha cabeça dizer ele como primeiro pensamento. Porque como tenho desenvolvido um trabalho que também é de escrita, de criação. Até quando eu fiz o Hélio Oiticica, eram textos meus em cena. Então eu muito inspirado nos textos do Hélio Oiticica. Até sentir trabalhar o “Hamlet”, talvez vá fazer editado, reconstruído e reinventado. Eu não me vejo formando um elenco de 40 pessoas com figurinos pesados. Não me vejo mais nesse formato. Eu já faço o audiovisual, cinema e televisão. Acho que o cinema e televisão já vão ter essas exigências de elencos enormes, figurinos enormes. Teatro me dá muitas possibilidades de alçar novos voos e fazer coisas mais experimentais, independentes sem cair no nicho do experimental. Eu quero que atinja todas as pessoas. Mas que não precise me corromper para chegar nas pessoas, que elas se sintam atraídas por isso.

“Qualquer Gato Vira-Lata”, “O Palhaço”, “Tropa de Elite”, filmes que você fez. Como e a tua relação com o cinema?

Então Cássio, minha paixão inicial quando eu era criança foi o cinema. Vem de família, meu avô era um cinéfilo. Era um cara que tinha várias câmeras e ficava fazendo filmes com a família. Minha mãe era apaixonada por cinema. Eu cresci num lugar no Rio de janeiro, zona oeste, que virou a Barra da Tijuca. Um lugar super americanizado. Mas até na minha infância tinha só praias e muitos cinemas. No shopping, na avenida das Américas. Eu via todos os filmes em cartaz e assinava uma revista chamada “Set”. Ficava sabendo notícias de Almodóvar. Lia entrevistas do Spielberg filmando “A Lista de Schindler”. Whoopi Goldberg fazendo “Mudança de Hábito”. E fui muito influenciado pelo cinema. Nessa época eu saia do cinema muito mexido, saia quase incorporando a personagem principal.

Sua participação na novela “Verdade secretas” ao lado de Grazi Massafera, foi memorável. O que te passa quando você está interpretando?

Ali foi uma entrega, não passou muito coisa pela minha cabeça. Mas se eu estiver fazendo uma peça de uma hora que não tenha nem tempo de ir na coxia, passaram coisas na minha cabeça, sim. Mas sempre há uma entrega pelo que está sendo dito e o que a personagem está passando. Eu não sou ator que fica preocupado com o ar condicionado do teatro ou se tem alguém se mexendo. Eu tive tempo de me dedicar, eu varri todo esse assunto de Cracolândia com evangélicos na internet. Fui em templos. Conheci pastores que trabalharam na Cracolândia. Quando você vai fazer aquela participação de alguns dias, você vem munido de coisas, tudo isso imprime na tela. Sem dúvida imprime.






sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

MAURO FERREIRA

Nossa música analisada com seriedade

Por Cássio Cavalcante/ Fotos: internet

Com um jornalismo coerente vai mapeando e nos norteando no vasto oceano que é nossa querida música popular brasileira. Mauro Ferreira desenvolve com competência a profissão que abraçou.


A internet vem crescendo a cada dia e abraçando todas as outras mídias. Como você enxerga o futuro do jornal impresso?

O jornal impresso vai precisar se tornar cada vez mais analítico para enfrentar a concorrência com a web. Ele terá que oferecer ao leitor algo além do que já foi lido na web no dia anterior.

 Qual o seu prazer com sua coluna no jornal O Dia?

É o prazer de apontar e avaliar semanalmente os produtos de maior relevância lançados pela indústria fonográfica brasileira. A coluna existe desde novembro de 1998.

 A música popular brasileira, pela ausência de canções de qualidade em nossas rádios enfrenta um período de turbulência?

Essa questão de qualidade é relativa. O que para uns é música boa, para outros é um lixo. E vice-versa. Com as novas mídias, cada artista deve buscar atingir o seu público, o seu nicho.

Sua crítica da música chega ao teatro. Como você analisa nosso teatro hoje?

O teatro musical vive fase áurea no Brasil. Nunca se produziu tanto musical no país. E com sucesso de público. A tendência é que os musicais biográficos dêem progressivamente lugar a espetáculos de trilha sonora original, com enredo inédito.

Seu  livro Cantadas foi muito bem aceito, um sucesso, vem mais algum por aí?

Por ora, não.

Suas expectativas acontecem em relação aos seus textos na revista Rolling Stone?

Tem sido um prazer e um orgulho escrever mensalmente na Rolling Stone do Brasil desde 2007.  A marca da revista é muito forte.

Você arriscaria em formar um time de onze cantoras que hoje fazem a MPB?

Não, acho que vivemos uma cena plural. Centenas de cantoras fazem a música do Brasil por todo o país.

O que te move como jornalista?

A vontade de expressar minha opinião sincera sobre discos e shows. E a certeza de que essa opinião reverbera entre artistas, leitores, produtores e empresários.


SYLVIA BANDEIRA

Beleza e talento se fazendo em um só ser

Por Cássio Cavalcante/ Fotos: internet


Do teatro, televisão e cinema, premiada, se realiza a casa desafio em sua profissão. Encontra no público o reconhecimento de seu trabalho. Sylvia Bandeira é uma linda mulher e uma de nossas melhores atrizes.

Nascida em Genebra, filha de Diplomata, como foram os primeiros anos de sua vida?

Muito agitados, passei os primeiros 18 anos de minha vida vivendo em vários países, aprendendo diferentes culturas e idiomas. Foi uma experiência muito enriquecedora sob vários aspectos, mas morria de saudades da minha terra, da família, do feijão preto, da musica...

Seu inicio foi como modelo, fez parte do cast da Shoot a primeira agencia profissional de modelos no Brasil. O que você guardou com carinho desta época de sua vida?

Naquele tempo eu era muito fotografada, saía em diversas capas de revista, era convidada para inúmeras matérias de moda e desfiles. Então foi excelente quando apareceu a Shoot e passei a ser remunerada por algo que fazia de jeito aleatório.

Foram muitas as novelas que fez: “Um sonho a mais”, “Roda de Fogo”, “Vila Madalena”, “Suave veneno”, na rede Globo, e “Promessas de amor”, “Balacobaco” entre outras na Record. Qual sua maior realização como atriz?

O ator se realiza a cada novo trabalho, a cada personagem, a cada desafio. Claro que existem trabalhos mais estimulantes, mas na hora do “ gravando” no caso da tv sou sempre transportada para aquele momento, aquela “persona”.

Nos conte de sua experiência de ser dirigida por Bibi Ferreira nas peças “Calunia” e “Não explica que complica”.

Fui dirigida três vezes por ela, em 2005 ela também me dirigiu no musical Rádio Nacional que ficou mais de um ano em cartaz, com texto de Fátima Valença. Aprendi muito da arte de representar com minha mestra Bibi Ferreira. Pisar num palco para ela é quase sagrado. E ela sabe tudo de teatro, um monstro sagrado!

No teatro você vive os dois lados, o de atriz e o de produtora. Como é fazer produção aqui no Brasil?

Sempre complicado, mas tenho excelentes profissionais, além de meu marido para me ajudarem. Até porque prefiro sempre focar no lado artístico.

“A república dos assassinos”, “Bar esperança”, “Apolônio Brasil – O capitão da alegria”, filmes que você fez. Como é a sua relação com a sétima arte?

Magia pura, cinema é uma dimensão imensa. Imaginar aquela tela imensa no escurinho de uma sala cheia de espectadores, embarcando na fantasia de uma história contada, é muito especial e exerce fascínio sobre as pessoas até hoje. Amo cinema.

Você recebeu o prêmio Heloneida Atudart - ALERJ de "Melhor Atriz" no Rio de Janeiro  em 2011 pelo seu trabalho na peça Marlene Dietrich As pernas do século Marlene Dietrich As pernas do século. Indicação ao prêmio Shell de "Melhor Atriz" em 2011 pela mesma peça. Como analisa esse trabalho na sua carreira?

Marlene Dietrich foi um marco na minha trajetória como atriz, foi a possibilidade de mostrar várias facetas, cantei em quatro idiomas pela primeira vez. O espetáculo já viajou por várias praças, esteve em são Paulo e duas vezes no Rio. E estamos pensando em voltar. Foi sem dúvida, meu trabalho mais maduro. Como disse Bibi quando veio nos assistir “ o espetáculo é irretocável, e você Sylvia, está soberba, não há elogio maior.”

Qual a importância dos prêmios na jornada e um artista?


O público é sempre o abalizador do nosso trabalho, são eles que nos aplaudem e nos prestigiam. Prêmios são a cereja do bolo! O prêmio reconhece e coroa, e isso é uma delícia!


CACÁ DIEGUES

A Sétima arte tomando conta de uma vida

Por Cássio Cavalcante/ Fotos: internet

Um dia sonhou fazer cinema, hoje um consagrado cineasta em todo o mundo. Um nome importante no cenário cultural de nosso país uma opinião respeitada. “Xica da Silva”, “Bye Bye Brasil”, “Deus é brasileiro”, são alguns de seus grandes sucessos. Cacá Diegues domina a arte que escolheu fazer e vem aí com “O grande circo místico”.


Qual o legado que o “Cinema Novo”, deixou para os cineastas de nosso Brasil?

A noção de que nosso tema original e fundador é o próprio Brasil, e a liberdade de se expressar como melhor entender.

Em que momento de sua vida você se descobriu um cineasta?

Sempre amei o cinema, mas só compreendi que poderia ser um cineasta quando, por volta dos 17 anos de idade, comecei a encontrar outros jovens com o mesmo sonho que eu. Era o embrião do que foi conhecido depois como Cinema Novo.

Em 1962, no CPC, você dirigiu seu primeiro filme profissional, em 35mm, Escola de Samba Alegria de Viver, episódio do longa-metragem Cinco Vezes Favela (os demais episódios são dirigidos por Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Marcos Farias e Miguel Borges). Na época você imaginava como seria o cinema aqui no seu país nos dias de hoje?

Não. Eu não imaginava nem como seria o próprio país hoje. Mas é claro que nós tínhamos um projeto e, ao longo do tempo, tivemos que modifica-lo com realismo.
O que você guardou da homenagem que recebeu na Flimar, Festa Literária de Marechal Deodoro em Alagoas?

A melhor coisa do mundo é voltar para casa e ser bem recebido. Foi isso que eu senti, tive a impressão de que passei minha vida toda fazendo coisas para honrar meus amigos de infância.

“Bye Bye Brasil”, “Xica da Silva”, “Quilombo”, “Orfeu”, Deus é Brasileiro”, entre outros. Diante de tantos filhos, existe algum predileto?

Não, quando você tem muitos filhos não é justo escolher um preferido. Ou por outra, o predileto é sempre o próximo, o que ainda não nasceu.

O Diário de Deus é Brasileiro, Vida de Cinema, dois livros escritos por você. Duas leituras c. Vem mais algum por aí?

Quero muito me dedicar também à literatura, sem abandonar o cinema. Mas no momento estou concentrado no “Grande Circo Místico”, não tenho como pensar em outra coisa.

Monah André Diegues, Mateo André Diegues, José Pedro Diegues Bial. Como é o Cacá Diegues avô?

Ser avô é a melhor coisa do mundo, sobretudo quando tem netos maravilhosos como os meus. Desde que eles são pequenos, com os netos o avô tem apenas o bônus e nenhum ônus. Eu adoro deseducar meus netos, acho que é esse o meu papel “revolucionário” com eles.

Flora Diegues deu um show na memorável novela “Além do Tempo”, Está no Filme “O Grande Circo Místico”. Como você definiria esta atriz?

Ela é uma menina linda e uma atriz muito talentosa. Seu futuro como atriz é solar.

O que você deseja fazer em cinema que ainda não fez?

Não sei, o tempo é que vai me dizer.




ITTALA NANDI

Uma mulher que se fez uma das artistas mais importante de seu país

Por Cássio Cavalcante/ Fotos: internet

Saiu de Caxias do Sul e ganhou todo o mundo pela competência e a graça. A frente de seu tempo fez, faz e fará história. Porque Ittala Nandi não guardou seu talento para si, nos presenteou com ele.


Como foi a tua infância, em Caxias, no sul do Brasil?

Foi bela, rodeada pela natureza, na Granja Nandi de meu pai Mássimo, brincando debaixo dos parreirais.

No início de sua carreira, você encontrou um teatro machista? Enfrentou preconceitos?

Comecei a fazer teatro na Aliança Francesa de Caxias do Sul. Ali foi o primeiro Oasis que encontrei na minha vida. Depois fui para Porto Alegre e participei do grupo do Teatro de Equipe com o então meu marido Fernando Peixoto, homem evoluído, culto. E a seguir fomos ambos para o Teatro Oficina de São Paulo, todos os grupos liberados de preconceitos. Preconceitos começaram a quando fiquei famosa e foi logo após o golpe militar de 64. Minha projeção como atriz foi rápida, já na primeira peça que fiz Toda Donzela tem um Pai que é Uma Fera, ganhei prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. Começaram as matérias em grandes revistas Manchete, etc. E logo a seguir fizemos O Rei da Vela de Oswald de Andrade que foi um estrondo na comunicação. Os preconceitos existiam sim, muitos, mas eu vivia para a minha arte e não ligava para nada disso. Recordo de um fato curioso quando eu ainda vivia em Caxias. Com meu próprio dinheiro comprei um dos primeiros maios de duas peças. Fui ao Clube local. Usei. O diretor do clube me chamou e disse que ali só poderia usar maio de uma peça. Então perguntei a ele: “Qual das duas o Sr. Quer que eu tire?” Ele ficou chapado e me mandou embora, dizendo que ia falar com meu pai. Eu tinha 13 anos. Ele nunca falou com meu pai.

O que você guardou no coração na época do teu começo nos efervescentes anos de 1960, quando a cultural se fez em um escudo de defesa?

Guardei as melhores qualidades que tenho em minha personalidade: resistência e coragem. Foram anos duros, muito duros, mas o Teatro Oficina se transformou num grupo audacioso, inteligente, inovador, capaz que foi de superar sempre os difíceis anos de chumbo.

A reportagem “Esta mulher é livre” na revista Realidade foi uma divisora de aguas em sua carreira?

Foi e não foi porque a revista foi apreendida nas bancas pela ditadura militar em menos de uma semana de sua edição. Para mim pessoalmente foi difícil porque eu fui proibida de dar entrevistas falando sobre o assunto. Era procurada e não podia dizer nada. Foi um ano de silencio. Por sorte nesse período eu ganhei a bolsa de estudos para a França e assim me livrei desse tormento durante um ano.

Nara Leão foi uma personagem atuante na nossa história recente, quais as recordações que você guardou de sua amiga que foi a estrela de um dos espetáculos mais importante de nosso teatro, o Opinião?

Narinha era muito querida, simples, e as pessoas falavam coisas assim sobre nós duas: os joelhos de Nara e as mãos de Ittala. Opinião do Vianinha no Rio assim  como o Oficina em São Paulo foram símbolos de audácia e inovação.

Quando você se descobriu escritora?

Desde adolescente eu lia muito, lia Simone de Bouvoir, Sartre, eu queria ser escritora, nunca me passou pela cabeça ser atriz. Eu tenho contos e poemas que escrevia para o jornal de estudantes da nossa cidade. Mas, o destino quis colocar no meu caminho o diretor e crítico de teatro do mais importante jornal o Correio do Povo de Porto Alegre, Fernando Peixoto, eu, formada em Contabilidade segui com ele para São Paulo. Como diretor ele foi trabalhar no Teatro Oficina, convidado pelo Zé Celso, recomendado pelo Boal. Eu fui junto e comecei a trabalhar no Oficina como contadora. O restante foi novamente o destino. Uma atriz adoeceu durante a temporada de grande sucesso da peça Quatro num Quarto, um vaudeville de Valentin Kataiev e Boal orienta Zé Celso que eu deveria substituir porque ele havia me visto em palegre fazendo teatro. Zé Celso fez isso. A atriz ficou boa e nunca mais voltou para o papel. Quando conheci Frei Betto que foi assistente de Zé Celso na peça O Rei da Vela, ele me estimulou muito a voltar a escrever, porque eu havia comentado com ele que sempre havia desejado ser escritora. Mostrei a ele um rascunho que havia feito para um romance que na época eu chamava de Antí, a Mulher sem Deus. Eram umas 30 páginas. Nesse período Beto foi preso e o original considerei perdido. Anos depois dele solto me mandou o original que havia encontrado. Li com lágrimas nos olhos. Muitas coisas estão no meu romance O Sonho de Vesta.

Na tua jornada como escritora, como você vê a feiras literárias como a Flip em Paraty e a Flimar em Marechal Deodoro?

Gosto mais do que os festivais de teatro, sinceramente, posso dizer isso porque participei de muitos festivais teatrais. A Flimar de Marechal Deodoro é uma simpatia única, mais íntima, melhor para os relacionamentos, onde conheci pessoas admiráveis que não vou citar nomes porque foram muitas. Agora vou lançar um outro livro sobre contos MILAGRES e pretendo, se for convidada, voltar à Flimar.

Quais os elementos usados na construção da maravilhosa personagem Vesta, do seu romance “O Sonho de Vesta”?

Vesta é o meu ideal como figura feminina, independente, ágil, inteligente, prática, líder, sonhadora. Demorei muito tempo escrevendo o livro, foram nove anos. Tive que estudar sobre matriarcados e a era do neolítico, sobre o Egito, os sumérios, a Grécia, não foi facial porque são inúmeros, centena de personagens. Mas gosto do resultado. Assim que tiver condições penso relançar melhor o livro.

Sendo uma das fundadoras do festival de cinema de Gramado, sendo este evento um dos maiores do seguimento em nosso país como você o analisa hoje?

Não sei, porque nunca mais fui convidada para comparecer, ou mesmo merecer uma homenagem. Hoje vejo como um festival comercializado.

Como funciona o Espaço Ittala Nandi?
O Espaço Nandi é uma escola técnica de formação de atores com 800 hr de duração. É a única escola do Rio de Janeiro com a característica de formar atores em um ano e meio para terem direito a carteira profissionalizante. Sou educadora, tenho Notório Saber e assim como Dra. em Artes Cênicas, já criei duas escolas uma na extinta UniverCidade do Rio de Janeiro e a outra em Curitiba que existe até hoje a faculdade CINETV-PR criada por mim em 2005. A partir dessas experiências achei que deveria criar a minha própria escola tendo como Diretor Técnico meu filho Giulianno Nandi.
O que na profissão de atriz traz o céu mais para perto de você?

O desejo de iluminar!


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(Foto: facebbok)

LEDA NAGLE

Quando a competência e a simpatia nos chega todas as tardes

Por Cássio Cavalcante/ Fotos: internet

Com um charme único a sua história se confunde com a dos telejornais de nossa televisão. Com uma audiência consagrada nos quatro cantos do Brasil. Assistir Leda Nagle nos faz bem com certeza.


Suas entrevistas no telejornal Hoje da rede Globo estão em nossa memória. Qual a fórmula de uma boa entrevista?

Gostar de ouvir histórias. Ter interesse nas pessoas. Deixar o entrevistado falar.

O que ainda existe em você da moça mineira recém formada de Juiz de Fora que chegou no Rio de Janeiro?

O jeito e o gesto. A “mineirice” e o “mineirismo”.  A Rachel Jardim, escritora nascida lá em Juiz de Fora, de onde eu também venho, escreveu certa vez “não se é mineiro impunemente nem se recupera nunca de ter sido”. Eu concordo orgulhosamente com ela. Trago o jeito de ser, algumas palavras que falo no dia a dia e muitos dos gestos de quem nasceu entre montanhas.

O que você guardou de suas passagens pela extinta Rede Manchete e no SBT Rio no programa Agenda?

Foram experiências tão válidas quanto a da Tv Globo. Eu gosto de trabalhar, gosto de desafios e tenho realmente muito prazer  em entrevistar, em descobrir boas pautas e em compartilhar estas descobertas.

Qual o retorno que você recebe pela sua coluna no jornal O Dia?

Comentários por email, de modo geral em forma de apoio, de concordância... Mas o melhor comentário que escutei foi um grito de um motorista de ônibus que deu uma parada no ônibus em pleno centro do Rio para gritar que adorou a coluna e concordava com ela.

A internet chegou abraçando tosos os meios de comunicação. Diante disso como você analisa o futuro do jornal tradicional, o impresso?

Ele vai ter que mudar como alias tudo e todos no mundo inteiro terão que fazer. Mas as mudanças não eliminam o jornalismo impresso apenas exigem reformas urgentes que ninguém sabe ainda como fazer e em que direção isto vai acontecer.

“Com Certeza – Leda Nagle – Melhores Momentos” e “De Minas para o Mundo - Levando Minas nos Gestos e no Coração”, dois livros seus, dois sucessos. Vem aí um terceiro?

São livros de entrevistas e tenho vontade de fazer outros na mesma linha, com recortes diferentes, até porque há muita gente interessante solta por aí, com boas histórias para contar.

Como foi a experiência de fazer o áudio livro de Augusto Cury? Como você vê essa maneira de se fazer livro?

Foi uma experiência diferente, que eu vejo como muita positiva mas acho que não funcionou no mercado brasileiro.

O programa Sem Censura é assistido do Oiapoque ao Chuí. Como foi a construção dessa audiência em massa, dessa confiança de telespectadores fieis?

Em abril de 2016 faço 20 anos á frente do Sem Censura. O programa já existia antes de mim e acho que o sucesso e a credibilidade dele está no seu próprio formato e na sua simplicidade. A maneira como ele acontece, sem ações mirabolantes, apenas escolhendo pessoas e assuntos/pautas que valem à pena serem discutidos fazem dele uma boa opção para as tardes brasileiras da tv aberta. E isto me dá uma alegria enorme e um grande prazer que se repete a cada dia. 


EDNARDO

Quarenta anos de canções que nos embalaram pela vida a fora

Por Cássio Cavalcante/ Fotos: Internet

Ele veio das dunas brancas da onde queria ficar, enquanto engomou a calça contou uma história bem curtinha fácil de contar que todos escutamos ate hoje. E voou com todo um país nas asas de um pavão misterioso. Porque Ednardo quando canta só sorrisos lhe respondem.


Com tantos sucessos em sua carreira como “Pavão Misterioso”, “Artigo 26”, “Enquanto Engoma a calça”, “Terral”, “Beira Mar”, “Carneiro”, entre outros, como você analisa hoje a cena musical no Brasil?

É delicado debruçar sobre assunto tão abrangente, acompanho na medida do possível, mas quase não vejo tv ou escuto rádios destas normais, da chamada grande mídia, a não ser quando tem algo muito interessante. Tenho no entanto acessado bastante a internet e algumas coisas bacanas que vejo e escuto me dão ideia que a cena musical do Brasil continua com pujança, é forçoso reconhecer no entanto, que não está encenada a vertente independente que é pra onde migraram vários artistas já conhecidos do grande público e de onde vem também promissores nomes. Constata-se também que gravadoras masters com reduzidos casts, só estão interessadas em manter em contrato o que é de fácil e raso consumo, salvo honrosas exceções.

Qual a contribuição do Pessoal do Ceará, para a sua música, a cearense e a de nosso país? 

Acredito que é grande, muitos parceiros, assim igual a outros maravilhosos amigos do Piauí, de São Paulo, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, entre tantos outros. No caso do Pessoal do Ceará, além da inquestionável contribuição ao nosso cancioneiro brasileiro, vejo que outros grupos despontam com força própria e demonstram que nossas músicas também fazem parte de suas formações.

No primeiro programa que você fez a nível nacional o cenário que te esperava era composto por elementos como um jumentinho, um gibão, chapéu de cangaceiro e espingarda. O Brasil hoje já tem a real dimensão artística do nordestino?

Claro que atualmente nossa geração é vista em dimensão mais ampla, este equívoco inicial se dava por visão estereotipada de como nos viam naqueles tempos, mas cada artista foi aos poucos demonstrando que não era bem assim, neste caso que você cita, me recusei a usar os paramentos para espanto da produção do programa de tv, eles achavam que eu estaria à vontade, só que não. Pois desde nossos primeiros discos a abrangência musical e estética estava muito além de um entendimento acanhado.
Qual foi a importância de Augusto Pontes para o movimento da cena musical no Ceará?

Fundamental, não só para nossa geração e parceiros, e também para outros gerações e áreas diferentes da música. Augusto Pontes uma das cabeças inteligentes e inquietas, representava de forma simbólica e também efetiva, esta efervescência criativa em várias áreas artísticas, música, letras, poesia, teatro, publicidade, etc. Uma espécie de mentor e fio condutor entre todos, encontramos a pessoa dele em quase todos os movimentos importantes até 2009.

Teatro José de Alencar, Fortaleza, 1979, acontece a Massafeira. O que foi esse evento em termos de som, imagem, movimento e gente?

Foi e é maravilhoso, porque continuam seus resultados na maioria dos que participaram e em outras gerações que atualmente nela se espelham. Esta nova forma de compreender a arte brasileira gerou outros movimentos coletivos de arte em vários outros Estados. Atualmente no Ceará, posso citar o movimento Manifesta (em Fortaleza) e o Festival União Ibiapaba (na serra de Ibiapaba), como oriundos diretos da Massafeira de 1979 e 1980. Mas tem muitos outros.

Como surgiu a ideia do livro sobre a Massafeira que você organizou? Foi muito difícil materializar esse documento importante da cena cultural do Ceará?

Foi a natural necessidade de se pensar em registrar o livro sobre a Massafeira depois de 30 anos de sua realização com a importância que tem em descentralizar do eixo sudeste para o nordeste, eventos de amostragens artísticas, empolgou a muitos. Tanto os que participaram, quanto as novas gerações são entusiastas desta ideia. Foram 2 anos e 6 meses, juntando todo material iconográfico, fotos, desenhos, depoimentos, textos, filmes, tivemos que resgatar até o disco duplo da Massafeira que sequer a gravadora o tinha mais e haviam destruído a matriz. 

Os festivais de música foram importantes na formação da música popular brasileira. Por que acabaram, por que esse formato não sobreviveu ao tempo?
Penso que festivais daquela forma competitiva conhecida, com júri, torcida, etc., sofreu natural desgaste, pois ao escolher alguns vencedores e rejeitarem outros participantes, quebrava a magia coletiva do fazer artístico. Atualmente, outros formatos têm sido mais interessantes. Mas não devemos esquecer que de uma forma ou de outra sempre haverá filtragens.

Você já fez algumas trilhas sonoras para o cinema, como a do Filme Luzia Homem. Gosta desse seguimento no trabalho musical?

Gosto de cinema, foi o que de alguma forma me entusiasmou ainda mais para música, porque ali está tudo junto: som e imagem, interpretação no trabalho artístico, a história e seu registro a criatividade de seus diretores, toda uma equipe trabalhando em conjunto. É quando percebo que a música tem também papel fundamental, ressalta todo o filme e é ressaltada por sua inclusão e se eterniza.

Cearense, saiu do seu estado, voltou a morar lá. Algumas canções suas são referências para o cenário do Ceará, como “Terral”, que foi feita em São Paulo movido pela saudade, morando no Rio de Janeiro já a muito tempo, você se sente próximo de sua terra?

Vou lá sempre que tenho oportunidade, em shows ou para movimentar projetos. Tenho ligação atávica com minha terra, uma emoção especial, o sentimento de pertença, reescutar o sotaque e suas musicalidades, rever amigos e fazer outros novos, observar o crescimento da cidade, a culinária característica, são diversas formas de reintegração ao meu local de origem, a qual prezo muito e respeito sempre e quero honrar como filho deste lugar.

Quarenta anos de carreira. Nessa jornada o que mais te marcou?

Tudo marca de alguma forma, pessoalmente não divido em décadas minha existência e música, estou caminhando, cada fase e momento tem sua importância e significado, existe no entanto a tendência quase geral em entender o relógio do planeta, por décadas ou séculos. Mas no meu pensar existe a vida, o criador, a arte, e todas outras formas de existências, e para mim, tudo é atemporal.

O que o teu fã vai encontrar no DVD que você lançou: 40 anos de canção?
 
São dois DVDs, o primeiro, contêm na íntegra o show que realizei em Fortaleza com 30 músicas representativas de diversas fases destes 40 anos. Com uma banda de 10 excelentes músicos, chamei também alguns convidados especiais para cantarmos juntos algumas músicas: Rodger Rogério, Teti, Chico César, Mona Gadelha, Carol Oliveira. O segundo, é um documentário que aborda principalmente o início artístico e a década de 70, fartamente ilustrado com entrevistas depoimentos e fotos de várias épocas e músicas. Também espero que descubram outras coisas e fatos que não percebi ao tecer estes comentários.
Abraços à todos.