Com o sorriso franco como sua marca registrada
Por Cássio Cavalcante/ Fotos: internet
Bela como o Rio de Janeiro, criada na zona sul da cidade maravilhosa, dona
de uma voz gostosa, de um repertório de fazer inveja, É clara em suas idéias.
Sua mãe afirmou que ela seria cantora pois chorava em lá menor
e não desafinava. A previsão se realizou. Estamos falando de Claudia
Telles.
Silvinha Telles, nome importante de nossa música, foi a primeira cantora
consagrada a apoiar a Bossa Nova. Sua mãe teve influencias em você se decidir
como cantora?
- Minha mãe não teve influência na minha escolha como cantora, ela
aconteceu naturalmente, embora sempre cantasse com minha mãe e frequentasse
programas de tv. Sempre gostei de cantar e tocar violão, que ela me ensinou,
fazia isso com as amigas e no colégio.Fiquei longe do meio muito tempo até que
fui estudar num colégio onde a Marizinha do Trio Esperança estudava também,
ficamos amigas, comecei a trabalhar com eles fazendo coro para outros artistas
e acabei sendo chamada para gravar sozinha.
O sucesso tem um preço?
- O sucesso tem a parte gostosa do reconhecimento do nosso trabalho com o
carinho dos fãs e da mídia, e o seu preço é conseguir se manter nele, o que
hoje em dia é cada vez mais difícil.
Filha da cantora Sylvia
Telles e do violonista Candinho e sobrinha do compositor e cantor Mário Telles.
Como foi ser criança neste rico universo musical?
- Para mim era uma coisa normal, minha avó materna tocava
acordeon, meu avô paterno também, assim como a minha mãe, meu avô materno
adorava ópera e no colégio eu estudava piano, então, na minha casa a música
fazia parte do nosso dia a dia.
Tudo começou por volta
de1972, fazendo coro em gravações de artistas como Roberto Carlos, Gilberto
Gil, Jerry Adriani, Jorge Ben, Belchior, Simone, Rita Lee e Fafá de Belém.
Participou de shows e gravações do Trio Esperança. Foi crooner do conjunto de Chiquinho do Acordeon. Já em 1976, vendeu
mais de 500.000 cópias, do compacto com a música Fim de tarde, ganhando disco
de ouro. Se tivesse que começar hoje, faria tudo igual?
- Acredito que hoje seria muito diferente, até porque a profissão de
vocalista de estúdio praticamente já não existe, sinceramente não sei como
começaria hoje em dia.
A Bossa Nova é um dos
maiores cartões de visita do Brasil no mundo inteiro. Você gravou o belíssimo
disco: Tributo a Tom Jobim, um dos meus prediletos. Qual o legado que Tom
deixou para nossa querida música popular brasileira?
- Tom deixou um bom gosto musical imenso, com melodias e arranjos lindos,
letristas parceiros maravilhosos, deixou muitas canções, que por mais que a
gente conheça as músicas do Tom não conhecemos tudo. Ele tem um lado do samba
canção que eu gosto muito e que minha mãe gravou.
- As músicas quando fazem sucesso marcam uma geração e Fim
de tarde e Eu preciso te esquecer marcaram, músicas simples, com letras
apaixonadas que acalentaram muitas pessoas e continuam acalentando até hoje.
Zé Pedro, DJ, é um nome forte na valorização e no resgate de nossa MPB.
Como fouiseu trabalho com ele, no disco Claudia Telles – Primeiros anos – 1976
– 1979, na gravadora Joia Moderna?
- Eu mandei pra ele fotos de carreira, falei das músicas que eu gostava e
que não haviam tocado como Fim de tarde e Eu preciso te esquecer, ele escolheu
as que ele gostava também, assim como o Thiago Marques que ajudou na compilação
do CD. Falei um pouquinho sobre cada canção e porque ela foi escolhida, foi
muito bom.
Como voce lida com o que toca hoje na maioria das rádios brasileiras?
- A gente acaba correndo para as rádios mais tradicionais e que tocam mpb,
fico triste com tantas músicas de duplo sentido que não acrescentam nada, mas,
cada tempo é seu tempo e elas estão no tempo delas.

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