sábado, 27 de fevereiro de 2016

MARY DEL PRIORE

Porque contar nossa história é preciso

Por Cássio Cavalcante/ Fotos: internet

Com 45 livros publicados nos conta nossas sagas numa narrativa que envolve e empolga na descoberta de quem somos. Mary Del Priore conduz ao passado para a descoberta do presente.


Foi difícil a decisão de deixar a carreira de professora universitária para se dedicar a jornada de escritora?

Não, quando deixei a carreira acadêmica o fiz pois achava que tinha pouco a oferecer em sala de aula e muito mais a pesquisar e escrever para o grande público. Foi uma atitude pensada e que só me traz alegrias.

Por que contar a história?

Porque se não soubermos quem fomos, jamais saberemos quem somos.

Sendo uma premiada autora, como esses reconhecimentos refletem em seu processo literário?

Permitindo-me viver momentos de partilha, de troca e de transmissão com meus leitores e companheiros de jornada. São aliás tais momentos que me inspiram para novos livros.

Qual a importância do nordeste brasileiro na história de nosso país?

O grande Clarival do Prado Valladares decretou faz tempo: o Brasil nasce no Nordeste. É fato. Além do que, nasce no Nordeste o maior escritor e historiador brasileiro: Gilberto Freyre. Autor de uma obra de talento, ele tem o maior de todos: inspirar outros talentos. 

De todas as personagens de nossa história qual a que mais lhe fascina?

Aquele sobre o qual vou escrever ou biografar proximamente.

O acontecimento íntimo tem forte importância na formação histórica de toda a humanidade. Como foi essa influência aqui no Brasil?

A noção de intimidade vai ter a sua singularidade entre nós. Ela foi construída na contramão da precariedade e da pobreza em que viveram nossos antepassados. Marcada pela presença da escravidão, da carência de saneamento, educação, água e saúde, apenas em meados do século XIX e nos grandes centros, os brasileiros terão oportunidade de ter um cotidiano minimamente semelhante ao das capitais européias. Meu próximo livro, a ser lançado em abril, trata do assunto com detalhes (História da Gente Brasileira – editora Leya).

Como foi a tua infância? Essa paixão pela história já te visitava nessa época tão importante na formação de todos nós?

Uma infância entre livros. Eles sempre foram os meus melhores amigos, uma porta aberta para outros mundos, uma passagem para o universo ilimitado da imaginação.

Como historiadora você acompanha o Brasil ao longo de toda a sua história. Você acredita ainda em nossa nação como promissora? O nosso país terá um futuro glorioso?

Não sou pessimista, apenas realista: enquanto não tivermos governo e também sociedade que priorize a educação, a escola, o professor e a leitura, continuaremos no “fim do mundo”. E continuaremos formando “consumidores” e não “cidadãos”.





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