sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

ITTALA NANDI

Uma mulher que se fez uma das artistas mais importante de seu país

Por Cássio Cavalcante/ Fotos: internet

Saiu de Caxias do Sul e ganhou todo o mundo pela competência e a graça. A frente de seu tempo fez, faz e fará história. Porque Ittala Nandi não guardou seu talento para si, nos presenteou com ele.


Como foi a tua infância, em Caxias, no sul do Brasil?

Foi bela, rodeada pela natureza, na Granja Nandi de meu pai Mássimo, brincando debaixo dos parreirais.

No início de sua carreira, você encontrou um teatro machista? Enfrentou preconceitos?

Comecei a fazer teatro na Aliança Francesa de Caxias do Sul. Ali foi o primeiro Oasis que encontrei na minha vida. Depois fui para Porto Alegre e participei do grupo do Teatro de Equipe com o então meu marido Fernando Peixoto, homem evoluído, culto. E a seguir fomos ambos para o Teatro Oficina de São Paulo, todos os grupos liberados de preconceitos. Preconceitos começaram a quando fiquei famosa e foi logo após o golpe militar de 64. Minha projeção como atriz foi rápida, já na primeira peça que fiz Toda Donzela tem um Pai que é Uma Fera, ganhei prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. Começaram as matérias em grandes revistas Manchete, etc. E logo a seguir fizemos O Rei da Vela de Oswald de Andrade que foi um estrondo na comunicação. Os preconceitos existiam sim, muitos, mas eu vivia para a minha arte e não ligava para nada disso. Recordo de um fato curioso quando eu ainda vivia em Caxias. Com meu próprio dinheiro comprei um dos primeiros maios de duas peças. Fui ao Clube local. Usei. O diretor do clube me chamou e disse que ali só poderia usar maio de uma peça. Então perguntei a ele: “Qual das duas o Sr. Quer que eu tire?” Ele ficou chapado e me mandou embora, dizendo que ia falar com meu pai. Eu tinha 13 anos. Ele nunca falou com meu pai.

O que você guardou no coração na época do teu começo nos efervescentes anos de 1960, quando a cultural se fez em um escudo de defesa?

Guardei as melhores qualidades que tenho em minha personalidade: resistência e coragem. Foram anos duros, muito duros, mas o Teatro Oficina se transformou num grupo audacioso, inteligente, inovador, capaz que foi de superar sempre os difíceis anos de chumbo.

A reportagem “Esta mulher é livre” na revista Realidade foi uma divisora de aguas em sua carreira?

Foi e não foi porque a revista foi apreendida nas bancas pela ditadura militar em menos de uma semana de sua edição. Para mim pessoalmente foi difícil porque eu fui proibida de dar entrevistas falando sobre o assunto. Era procurada e não podia dizer nada. Foi um ano de silencio. Por sorte nesse período eu ganhei a bolsa de estudos para a França e assim me livrei desse tormento durante um ano.

Nara Leão foi uma personagem atuante na nossa história recente, quais as recordações que você guardou de sua amiga que foi a estrela de um dos espetáculos mais importante de nosso teatro, o Opinião?

Narinha era muito querida, simples, e as pessoas falavam coisas assim sobre nós duas: os joelhos de Nara e as mãos de Ittala. Opinião do Vianinha no Rio assim  como o Oficina em São Paulo foram símbolos de audácia e inovação.

Quando você se descobriu escritora?

Desde adolescente eu lia muito, lia Simone de Bouvoir, Sartre, eu queria ser escritora, nunca me passou pela cabeça ser atriz. Eu tenho contos e poemas que escrevia para o jornal de estudantes da nossa cidade. Mas, o destino quis colocar no meu caminho o diretor e crítico de teatro do mais importante jornal o Correio do Povo de Porto Alegre, Fernando Peixoto, eu, formada em Contabilidade segui com ele para São Paulo. Como diretor ele foi trabalhar no Teatro Oficina, convidado pelo Zé Celso, recomendado pelo Boal. Eu fui junto e comecei a trabalhar no Oficina como contadora. O restante foi novamente o destino. Uma atriz adoeceu durante a temporada de grande sucesso da peça Quatro num Quarto, um vaudeville de Valentin Kataiev e Boal orienta Zé Celso que eu deveria substituir porque ele havia me visto em palegre fazendo teatro. Zé Celso fez isso. A atriz ficou boa e nunca mais voltou para o papel. Quando conheci Frei Betto que foi assistente de Zé Celso na peça O Rei da Vela, ele me estimulou muito a voltar a escrever, porque eu havia comentado com ele que sempre havia desejado ser escritora. Mostrei a ele um rascunho que havia feito para um romance que na época eu chamava de Antí, a Mulher sem Deus. Eram umas 30 páginas. Nesse período Beto foi preso e o original considerei perdido. Anos depois dele solto me mandou o original que havia encontrado. Li com lágrimas nos olhos. Muitas coisas estão no meu romance O Sonho de Vesta.

Na tua jornada como escritora, como você vê a feiras literárias como a Flip em Paraty e a Flimar em Marechal Deodoro?

Gosto mais do que os festivais de teatro, sinceramente, posso dizer isso porque participei de muitos festivais teatrais. A Flimar de Marechal Deodoro é uma simpatia única, mais íntima, melhor para os relacionamentos, onde conheci pessoas admiráveis que não vou citar nomes porque foram muitas. Agora vou lançar um outro livro sobre contos MILAGRES e pretendo, se for convidada, voltar à Flimar.

Quais os elementos usados na construção da maravilhosa personagem Vesta, do seu romance “O Sonho de Vesta”?

Vesta é o meu ideal como figura feminina, independente, ágil, inteligente, prática, líder, sonhadora. Demorei muito tempo escrevendo o livro, foram nove anos. Tive que estudar sobre matriarcados e a era do neolítico, sobre o Egito, os sumérios, a Grécia, não foi facial porque são inúmeros, centena de personagens. Mas gosto do resultado. Assim que tiver condições penso relançar melhor o livro.

Sendo uma das fundadoras do festival de cinema de Gramado, sendo este evento um dos maiores do seguimento em nosso país como você o analisa hoje?

Não sei, porque nunca mais fui convidada para comparecer, ou mesmo merecer uma homenagem. Hoje vejo como um festival comercializado.

Como funciona o Espaço Ittala Nandi?
O Espaço Nandi é uma escola técnica de formação de atores com 800 hr de duração. É a única escola do Rio de Janeiro com a característica de formar atores em um ano e meio para terem direito a carteira profissionalizante. Sou educadora, tenho Notório Saber e assim como Dra. em Artes Cênicas, já criei duas escolas uma na extinta UniverCidade do Rio de Janeiro e a outra em Curitiba que existe até hoje a faculdade CINETV-PR criada por mim em 2005. A partir dessas experiências achei que deveria criar a minha própria escola tendo como Diretor Técnico meu filho Giulianno Nandi.
O que na profissão de atriz traz o céu mais para perto de você?

O desejo de iluminar!


ESPAÇO NANDI - Escola de Formação de Atores - RJ
Registro Profissional de ator (DRT) em 18 meses.
Evite aborrecimentos futuros, nosso curso é credenciado pelo MEC e obedecemos o mínimo de 800 horas como pede a lei. Fica dica!
PROMOÇÃO Indique um amigo e ganhem os dois desconto na mensalidade. Inscrições Abertas!
INÍCIO IMEDIATO
> Turma Integral aos Sábado das 9h às 22h (uma hora de almoço).
> Turma Regular as seg, qua e sex das 14h às 18h.
Para mais informações ligue: (21) 3500-4262 | 3500-4263
http://www.espaconandi.com.br/tecnico-profissionalizante.ht…

(Foto: facebbok)

Nenhum comentário:

Postar um comentário