Um artista desde sempre
Por Cássio
Cavalcante/ Fotos: internet
Com
apenas 34 anos já conta 20 anos de carreira. Mas faz questão de manter no
brilho do olhar o frescor de quem está começando. Para Álamo Facó ser ator é um
ato natural desde os primeiros tempos de escola, quando já era apontado como um
profissional.
Você começou cedo. Aos 11 anos já atuava
e escrevia para o teatro no “Tablado”.
Aos 14 tirou seu registro profissional de ator. Aos 17 passou um ano na
Inglaterra estudando Artes Cênicas. Toda essa precocidade te ajudou a se firmar
como ator?
Ajudou.
Eu acho que isso é definitivo. Algumas pessoas começam mais tarde. Alçam voos
arriscados. Mas na minha história foi fundamental.
Você
fez “A Turma do Pererê”, foi Alan (o macaco). Fez o Sítio do Picapau Amarelo.
Na formação de sua personagem Quequé, você sugeriu que fosse estrábico, com
isso o tornando mais ingênuo e com maior identificação com as crianças. Você tem
um olhar especial para o público infantil?
Eu
tenho um filho de três anos. Acho que isso não foi de uma forma consciente.
Organicamente foi acontecendo essa identificação do público mais novo com o
Quequé e no Pererê. Eu cheguei a ficar mais de um ano no Sítio quanto era o
Carlos Manga diretor de núcleo e Ulysses Cruz na direção geral. Então isso foi
se dando de forma natural. E tenho um carinho especial com certeza com as
crianças.
Você teve muitos mestres. A memorável
Maria Clara Machado, Amir Haddad, Domingos de Oliveira, Juliana Carneiro da
Cunha e Enrique Diaz. Sua formação seria um misto de todos eles?
Seria. Eu comecei no tablado, ali foi onde eu
comecei a ver companhia de teatro amadora. E a Maria Clara Machado era referência
para gente de pessoa, de caráter, de criadora, de artista. Era uma referência
forte. E o Enrique Diaz ele completa isso porque na época de grande potência
criativa na companhia de atores aqui no Rio eu era um adolescente estudante de
teatro. Eu frequentava as oficinas da Companhia de atores, eu frequentava as
peças. Então meu primeiro solo foi dirigido por César Augusto que é da
Companhia de atores. Ele dirige comigo o “Mamãe”, também. É uma coisa que vai
se completando.
Acredito que sua personagem, o
inesquecível Quequé, do núcleo cômico da novela “Lado a Lado”. Foi muito
marcante em sua carreira. Como foi fazê-lo?
Olha,
eu fui na primeira leitura da novela em um hotel na Barra com todos os autores.
João Ximenes Braga apontou e falou na frente de todo mundo: “ O Quequé é o tal
da novela. Ele é um personagem engraçado então pode se jogar. Solte os palhaços
aí”. E apesar dele ser vesgo, um bobão, um pargo. Eu tentava trazer sempre a
humanidade dele. Acho que esse era o segredo. Não ficar na forma. Ele vinha
como um desajeitado, sempre buscando a humanidade dele lá no fundo.
Geralmente um jovem quando se decide por
ser ator, gera na família uma preocupação devido a instabilidade da profissão.
Como foi a resposta da sua família pela decisão de atuar?
Com
7, 8 anos de idade, já tinha peças na escola e talvez por eu ser meio
diferente, engraçado, já me chamavam para fazer a personagem de destaque da
peça. Apontaram o dedo para mim quando tinha 9 anos, e um adulto disse: “Você é
ator. Eu nem vou dar parabéns, você é ator”. Falou no final de uma peça. Mas
até hoje eu estou aprendendo. Me sinto com o frescor de quem está começando. O
desejo de fazer um trabalho diferente, de fazer uma peça diferente. Ele vem com
o brilho do olhar de quem está começando. Nunca bati no peito: “Eu tenho 20
anos de carreira”. Tô com 34 anos comecei com 14. Minha mãe sempre foi uma amante
das artes. Sempre me apoiou muito. Era uma apaixonada pelo teatro. Via mais
peças em cartaz do que eu. Era bem fervorosa do amor dela pelas artes. Meu pai
também me apoiou, ele chegou a ser do meio da música. Chegou a ser músico
profissional. Mas pela dificuldade financeira foi fazer faculdade de economia.
Trabalhou no BNH, depois a Caixa. Ele era economista da Caixa Econômica Federal.
Ele não chegou a seguir carreira. Ainda pegou uma época que era muito difícil.
Twitter, Facebook, redes sociais são a mania
do momento. Qual o seu uso dessas ferramentas?
Eu
uso mais o Facebook e o Instagram. O Twitter eu não entrei porque comecei a ver
que tomava muito tempo do dia a dia. Tenho um filho de 3 anos e muita coisa
para fazer como ator e artista independente. O Facebook eu uso para divulgar
peças e também para expor pensamentos. Sou muito informado com as injustiças do
mundo. Qualquer causa dos direitos humanos me identifico e me envolvo. Entro na
linha de frente, tenho até que tomar cuidado. Com qualquer injustiça, qualquer
minoria vai me afetar e me deixar comovido. Então uso para trabalho e para expor
pensamentos.
Sua formação inicial foi no teatro. Qual
a personagem que você sonha interpretar nos palcos?
O
que me veio à cabeça enquanto você falava me veio o “Hamlet”. Mas tenho uma
dúvida se é um clichê de minha cabeça dizer ele como primeiro pensamento.
Porque como tenho desenvolvido um trabalho que também é de escrita, de criação.
Até quando eu fiz o Hélio Oiticica, eram textos meus em cena. Então eu muito
inspirado nos textos do Hélio Oiticica. Até sentir trabalhar o “Hamlet”, talvez
vá fazer editado, reconstruído e reinventado. Eu não me vejo formando um elenco
de 40 pessoas com figurinos pesados. Não me vejo mais nesse formato. Eu já faço
o audiovisual, cinema e televisão. Acho que o cinema e televisão já vão ter
essas exigências de elencos enormes, figurinos enormes. Teatro me dá muitas
possibilidades de alçar novos voos e fazer coisas mais experimentais,
independentes sem cair no nicho do experimental. Eu quero que atinja todas as
pessoas. Mas que não precise me corromper para chegar nas pessoas, que elas se
sintam atraídas por isso.
“Qualquer Gato Vira-Lata”, “O Palhaço”,
“Tropa de Elite”, filmes que você fez. Como e a tua relação com o cinema?
Então
Cássio, minha paixão inicial quando eu era criança foi o cinema. Vem de
família, meu avô era um cinéfilo. Era um cara que tinha várias câmeras e ficava
fazendo filmes com a família. Minha mãe era apaixonada por cinema. Eu cresci
num lugar no Rio de janeiro, zona oeste, que virou a Barra da Tijuca. Um lugar
super americanizado. Mas até na minha infância tinha só praias e muitos
cinemas. No shopping, na avenida das Américas. Eu via todos os filmes em cartaz
e assinava uma revista chamada “Set”. Ficava sabendo notícias de Almodóvar. Lia
entrevistas do Spielberg filmando “A Lista de Schindler”. Whoopi Goldberg
fazendo “Mudança de Hábito”. E fui muito influenciado pelo cinema. Nessa época
eu saia do cinema muito mexido, saia quase incorporando a personagem principal.
Sua participação na novela “Verdade
secretas” ao lado de Grazi Massafera, foi memorável. O que te passa quando você
está interpretando?
Ali
foi uma entrega, não passou muito coisa pela minha cabeça. Mas se eu estiver
fazendo uma peça de uma hora que não tenha nem tempo de ir na coxia, passaram
coisas na minha cabeça, sim. Mas sempre há uma entrega pelo que está sendo dito
e o que a personagem está passando. Eu não sou ator que fica preocupado com o
ar condicionado do teatro ou se tem alguém se mexendo. Eu tive tempo de me
dedicar, eu varri todo esse assunto de Cracolândia com evangélicos na internet.
Fui em templos. Conheci pastores que trabalharam na Cracolândia. Quando você
vai fazer aquela participação de alguns dias, você vem munido de coisas, tudo
isso imprime na tela. Sem dúvida imprime.





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