domingo, 14 de agosto de 2016

SHOW ASA BRANCA COM MARIA ALCINA NO CAIXA CULTURAL RECIFE

Ela é a Dona da Alegria  
     
Por Cássio Cavalcante/ Fotos: Angélica Souza


No início, pouca gente sabe disso, ela fazia a linha Nara Leão, com direito à franja e violão debaixo do braço, até registrou esse momento em uma foto no quintal de sua casa em Cataguases, interior mineiro. Mas a cidade natal onde pousou a moda da musa não tinha como acontecer artisticamente, foi para o Rio de Janeiro, como todo o início foi difícil, cantava em casas de show’s e no teatro de Revista com nomes como Leila Diniz. Mas o sucesso lhe veio na inesquecível era dos festivais, cantando a música de Jorge Ben Jor, “Fio Maravilha”. Quando se fala em grandes impactos visuais em nossa MPB, lembra-se logo no conjunto “Secos e Molhados”, mas quem não se admirou nos anos de 1970 com uma mulher cantando careca, ela lembra: "E eu era mulher e sozinha". Ousou, e fez isso quando era perigoso fazer.

Agora nos chega, pelo maravilhoso espaço Caixa Cultural Recife, sim, repito, maravilhoso, essa é a palavra. O show “Asa Branca” que teve sua estreia em 2012 nas comemorações dos cem anos do rei vaqueiro de nossa música Luiz Gonzaga. Já somam mais de 90 apresentações pelo Brasil afora. Nunca uma mineira vestiu-se tão bem com a alma nordestina.

Para começar a canção “Asa Branca”, só voz e sanfona, de arrepiar. Mas a interprete contando “Paraíba” de braços aberto, o palco é dela e também toda a música popular brasileira. Com uma luz bem feita na medida certa onde se faz o que tem que ser feito, realçar a estrela maior em movimento. Acompanhada de Olívio Filho no Acordeon, ele fez os arranjos, Leandro Brenner no violão sete cordas e Wander Prata Bateria, ela é a dona da festa não só canta e dança, mas nos convida a bailar com ela, e gostamos disso.

O repertório é uma galeria dos clássicos do filho de Januário, como uma apetitosa receita que expulsa os homens da cozinha em “Baião de Dois”. E aí tome forro com “Respeita Januário”, “Que nem Jiló”, “Sabiá”, “Xamego”, “Numa Sala de Reboco”.

Com “Olha Pro Céu”, nos embala e nos remete as nossas inesquecíveis festas juninas de uma infância que não existe mais. Mas com “Pagode Russo”, fica elétrica e nos contagia a todos de uma certeza plena de estarmos no lugar certo e na hora certa. Diante de tanta seriedade vocal o humor é um gostoso aperitivo a parte.

A idealização e direção artística de Fran Carlo foi certeira. A produção executiva de Petterson Mello eficiente e o técnico de som Leonardo Chain fez bem o seu trabalho. Aqui em Pernambuco a produção local foi da “Mulucum Produções” e assessoria “Zuela Comunicações”.

É daqueles show’s que quando termina, saímos com vontade de viver, pois nos passa a agradável sensação de que estamos vivos.









domingo, 24 de julho de 2016

CLAUFE RODRIGUES

O Poeta e o Jornalista em um só Corpo

Por Cássio Cavalcante/ Fotos: internet

A palavra é o elo que une esse ser seja no competente jornalismo que realiza ou na criativa poesia que produz. Claufe Rodrigues tem no universo das letras o seu mundo.


Em que momento da tua vida te veio a certeza de que você seria um jornalista?

Foi quando eu percebi que de poesia eu não conseguiria viver. Então veio a época do vestibular e, pesquisando as carreiras universitárias, vi que Jornalismo tinha currículo menos específico do que, por exemplo, Letras. Vi que me tornar um “especialista em assuntos gerais” – na feliz definição de Décio Pignatari – era o melhor caminho para viver de escrever.

Na tua profissão qual é a tua maior realização com a notícia?

Rapaz, já fiz tanta coisa... Programas, séries, especiais, documentários... Poderia citar a direção de um especial sobre o Riocentro para o Globo Repórter, pelo qual ganhei com a equipe o prêmio Wladimir Herzog, as séries documentais sobre Fernando Pessoa, Machado de Assis, Euclides da Cunha, todas as matérias sobre Jorge de Lima, as entrevistas com Eduardo Galeano, Pepetela, Vargas Llosa, António Lobo Antunes, José Saramago, Eugénio de Andrade e agora, na Flip, com Svetlana Alexiévitch. Teve ainda o Palavrão, primeiro programa da TV brasileira especialmente dedicada à poesia, enfim... Possivelmente estou esquecendo algo muito importante – sim! O especial que fiz no Benim sobre os retornados brasileiros, ex-escravos que retornaram à África.

Qual a tua opinião sobre o futuro do jornal impresso?

Acho que hoje tudo é uma grande novidade, mas, quando a poeira baixar, vamos ver o que vai ser varrido do mapa. Aliás, se fôssemos projetar hoje o futuro do próprio jornalismo, os prognósticos seriam péssimos. Mas creio que, passada a onda virtual, ganharemos novos suportes para o ofício, sem perder os que já existem.

 Em você o jornalista e o poeta são seres distintos, ou em algum momento essas duas escolhas se entrelaçam em sua vida?

Para mim é tudo junto e separado ao mesmo tempo. Sou um só ser que se manifesta através de várias formas de expressão. Cada uma delas demanda uma linguagem específica, que pode eventualmente ser transgredida. Mas o certo é que quando faço poesia, é poesia mesmo; quando escrevo matérias jornalísticas, evito o texto “poético”. Por outro lado, é inegável que o poeta e o jornalista se retroalimentam e me dão uma identidade única tanto numa como noutra função.

Você participou de muitos grupos como, Bandidos do Céu, Bazar do Baratos, Madame Suzi, Os Camaleões, Ver o Verso. Qual a importância desses grupos em tua jornada poética?

Ter um grupo de poesia era muito importante numa determinada época. Para mim, significavam a possibilidade de me lançar em bases firmes e abrangentes, sem me expor tanto, e de divulgar a poesia para um público bem maior.

Nessas três décadas dedicadas a poesia o que mais lhe realizou?

Não saberia dizer. Tenho onze livros, fiz uma enciclopédia sobre a poesia brasileira no século XX, organizei um sem-número de eventos literários, tive grupos importantes como Os Camaleões e o Ver o verso, ajudei um monte de gente a encontrar seus caminhos na poesia, conquistei muitos amigos, faço um programa sobre literatura, expandi as fronteiras da minha poesia para a prosa e a música e continuo em frente, querendo realizar cada vez mais.

Fala um pouco do programa que você apresenta, Palavrão Literatura, e quais os resultados obtidos com esse evento?

O Palavrão é um laboratório de arte, em que convidamos artistas de várias áreas (mas todos ligados ao livro e à literatura) e desenvolvemos nossas próprias habilidades, especialmente na música. Sobretudo, é um movimento de resistência à pobreza do lepo-lepo em que se tornou nosso meio cultural.

O que você ainda não fez como jornalista e como poeta, mas que pretende realizar?


Tudo: discos, livros de poesia, romances, shows, eventos, filmes... Você só não me verá nunca fazendo teatro ou artes plásticas – não tenho a menor habilidade nesses ofícios.




domingo, 17 de julho de 2016

TOQUINHO

Um estimado compositor e interprete de nossa música

Por Cássio Cavalcante/ Fotos: internet

Antonio Pecci Filho, no último dia seis de julho neste ano de 2016, fez 70 anos. Parceiro, amigo e irmão musical de um dos maiores poetas do mundo, Vinicíus de Moraes, diz "Aproveitei Vinicius até o fim", porque moravam juntos e estava no momento da morte do eterno parceiro. Cantor de uma carreira universal, faz sucesso nos quatro cantos do mundo. Suas canções nos remetem de imediato a importância de nossa MPB. O apelido foi dado pela mãe, começou cedo aos 14 anos já tinha aulas de violão com Paulinho Nogueira, e em 1970, compôs, com Jorge Bem Jor, seu primeiro grande sucesso, “Que Maravilha”. O papo de hoje é com o querido da Música popular Brasileira, Toquinho.


Toquinho, nessas suas viagens, você sente alguma variação de público de um lugar para outro?

Mais ou menos porque hoje tem uma abrangência grande de público por todo meu lado infantil, então tem umas gerações ai que deveriam estar com minhas músicas e estão porque cresceram com a música infantil e a música infantil puxa todo outro repertório então todas as gerações eu abranjo hoje. Desde os pequenos que cantam canções infantis até os que cresceram com essas canções que hoje tem 40, 45 anos. Imagine uma pessoa que tem 40 anos não viu Vinícius de Moraes cantar então você vê quanto tempo já passou “Aquarela” foi feita há 30, 31 anos, então você vê que tem uma geração toda que cresceu com minha música que taí hoje já adultos com filho e os filhos ouvindo as canções. Então tem uma coisa muito homogenia assim no Brasil é um público de toda idade mesmo não tem isso de pessoas mais velhas até as pessoas de meia idade. Por isso que te falei, e os filhos delas estão crescendo e acompanhando o meu repertório. Com internet hoje tudo fica mais fácil. Né?

Na sua carreira o que mais lhe marcou ao longo desses 50 anos?
 
Olha sempre defini minha carreira como estou fazendo hoje, você viu eu tocar aqui e ficaria tocando até a hora do show, isso é que faz a diferença, gosto de tocar eu gosto de cantar, gosto de tocar com músicos excelente como Proveta, como Anna Setton que é uma grande cantora. Sinto prazer nisso, não estou aqui como sacrifício. Estou aqui por prazer de tocar. Nem poderia, que dizer, estou quase de férias mas o Ronald é meu amigo, me convidou, é um lugar que eu nem faria em geral mas eu vim fazer por carinho mesmo e por vontade de tocar. Então trilhei minha vida fazendo o que eu quis, entendeu, e tem assim momentos de grandes públicos. Tive quatro momentos de grandes públicos um foi na Bahia, final de ano, no Farol da Barra quatrocentas mil pessoas, depois em Roma com trezentas e cinquenta mil pessoas,  na Vila Burguês lá em cima, agora no final do ano em São Paulo tinham dois milhões de pessoas na Paulista. São momentos que realmente marcam, assim né, de você ver aquele público todo na sua frente. Mas coisas assim negativas nenhuma. Eu me lembro só de coisas muito boas de parcerias de curtições assim como você está vendo a gente fazer aqui. Isso que estou fazendo com ele fazia com Vinícius. Fiz com Tom e com grandes artistas. Então minha vida foi trabalhada mesmo por momentos favoráveis, não tenho nada de ruim para falar e as coisas grandiosas foram a quantidade de público porque gosto de fazer show aqui, como num lugar para trinta, quarenta mil pessoas.

Você foi parceiro, mais do que isso, amigo de um dos maiores poetas do mudo, Vinícius de Moraes, entre as tuas parcerias com ele tem alguma predileta?

Sempre tem alguma né, ai tem muitas no lance. Como numa cor, tem vários tipos de azul, vários tipos de verdes. Tem uma que eu gosto muito de cantar “Tarde em Itapuã” é uma canção que fica nova sempre que a gente canta. É bonita, o músico gosta, o instrumentista exigente toca, a pessoa da família gosta. As gerações passam ou vem e ela tem uma magia. Outras como “Regra Três”, foi uma canção que marcou muito. Outras músicas que eu fiz com ele. Bom, o Vinicius foi um grande poeta uma pessoa fantástica e eu convivi com ele e fui um grande privilegiado. Tive muita sorte nesse sentido de conviver com ele de uma forma tão íntima e ter aproveitado isso de uma maneira tão honesta, tão direita e ficou muita coisa boa. Fizemos o que podemos fazer em dez anos de parceria foi um fecho maravilhoso. A morte dele encerrou uma parceria e foi tirada o máximo possível dela.

Vinicius de Moraes e toquinho

Outro nome da nossa música que você foi amigo, tocou com ela, foi Nara Leão. Eu queria que você contasse para a gente o que foi essa cantora para a Música Popular Brasileira? 

Nara Leão foi importantíssima para música brasileira. Foi talvez uma das interpretes mais importantes que nós tivemos. Ela foi muito bem orientada, sempre se cercou de pessoas importantes e pessoas que sabiam bastante. O Carlos Lyra foi um grande orientador dela. O próprio Vinícius, enfim, Edu Lobo, Dori Caymmi. Ela trouxe para música brasileira o morro, e isso não é brincadeira. Ela trouxe Zé Keti para a música brasileira. A Bossa Nova era um movimento preconceituoso, e ela era a musa da bossa porque tinha um radar.  Trouxe o Chico Buarque para a música, foi a primeira a gravar o Chico Buarque. Ela detectava as pessoas, gravou Sidney Miller, Paulinho da Viola. Trouxe o show “Opinião”, o “Pobre menina rica”, que ela fez com Carlos Lyra, Foi talvez a cantora mais importante da música brasileira não no sentido técnico vocal mas no sentido de visão no comportamento musical ela trouxe as pessoas certas para a música brasileira e rompeu com os preconceitos que a Bossa nova tinha. Junto com Carlos Lyra. Nara teve essa importância enorme de detectar os valores que estavam surgindo emergentes e ter coragem de assumir esses valores então essa é a grande importância da Nara Leão.

Toquinho, Nara leão e Wilson Simonal

Você tem muitos sucessos. Acho que a Música Popular Brasileira tem em Toquinho um dos principais compositores e interpretes. Mas um sucesso teu que eu tenho a certeza que agrada de um ano a cem anos de idade, é “Aquarela”. Queria que você contasse para a gente como foi a história de “Aquarela”, como foi que ela surgiu?

“Aquarela” é um mistério, que musicalmente tem uma emoção nela que abrange tudo, a criatividade da criança, a emoção do adulto, o fatalismo da vida. Tudo de uma forma meio lúdica colocada na música, é um mistério. Teria tudo para não fazer sucesso, ela é longa tem uma letra enorme não tem refrão que as pessoas cantam. É só uma canção. Tem uma magia nela. Certos sucessos que a gente não pode explicar, esse é um deles. Depois que de feita, foi um grande sucesso na Itália eu não ia gravar no Brasil. Achei que não ia acontecer nada nessa música, acho que teve uma empatia com o público italiano. Quando gravei aqui ia colocar ela na última música do disco. Aí o pessoal do estúdio começou a chamar outras pessoas quando estava colocando voz, o pessoal ficou ouvindo no estúdio quando eu acabei de fazer, os caras falaram: “Meu Deus que musica é essa!”.  Falei: “Vocês gostaram?” Responderam: “Nossa! Essa música é linda”. Falei: “Mas que estranho, vocês gostaram mesmo”. Comecei a ver que ela tinha alguma coisa. Quando acabei, chamavam as pessoas para ouvir no estúdio. Vi que tinha uma força. O disco chamou “Aquarela” e foi uma surpresa para mim, o grande sucesso que  fez em todos os países. Agora eu repito para você, tem certos sucessos e certas coisas que acontecem com a arte que não tem muitas explicações “Aquarela”, é uma delas.

Disco "Aquarela".

Para terminar como é que você analisa a música popular brasileira hoje?

A Música Popular Brasileira é riquíssima, tem tudo, tem as coisas, todos os tipos de ritmo. Os compositores da minha geração tão aí heroicamente fazendo canções ainda cantando. Já com setenta anos de idade todos ai brilhando ainda: Gil, Caetano, Djavan, Chico Buarque, Paulinho da Viola. O próprio aqui que vos fala. A música brasileira é muito rica, minha geração foi muito forte e continua crescendo com todas influencias que tem do mundo todo. Com a internet tudo taí, viva. Principalmente fora do Brasil e a música brasileira  é rica, tem sertanejo bom, tem rock bom, tem MPB boa, tem sambista bom, tem axé bom e a gente tem que curtir tudo em cada momento no momento de cada gênero.



                 

domingo, 26 de junho de 2016

THIAGO MARQUES LUIZ

Desde sempre compromissado com a querida MPB

Por Cássio Cavalcante/ Fotos: internet

Muito cedo começou a escrever sobre música em sua cidade, fez jornalismo e logo estava envolvido de corpo e alma com a Música popular Brasileira. Thiago Marques Luiz, mais que um produtor musical um dos principais nomes da preservação, defesa e divulgação de nossa música.


O que te despertou para trabalhar com a Música Popular Brasileira e como aconteceu?

Desde criança sempre fui muito ligado a música. Aos 15 anos comecei a escrever sobre música para jornais e revistas de Guarulhos, a cidade onde nasci. Estudei e me formei em jornalismo mas logo fui trabalhar com produção musical.

Você já trabalhou com os principais nomes de cantoras de nossa música. Existe alguma que queira trabalhar que ainda não aconteceu?

Tanta gente que não seria possível enumerar. O fato é que tenho o privilégio de trabalhar com meus ídolos, com pessoas que sempre admirei.

Sempre digo que em Amelinha a cantora é só a ponta do iceberg. É um dos nomes mais iluminados que já conheci. Ela estava a 10 anos sem gravar e você gravou com ela um belíssimo disco, Janelas do Brasil, logo depois gravou o primeiro DVD da cantora cearense. Como foi o seu encontro com ela?

Um amigo meu filósofo, professor da UERJ, Marco Goulart, me falava muito dela, que eu já conhecia dos discos e tal. Quando fiz um projeto sobre o centenário do Ataulfo Alves a convidei para participar e logo ficamos amigos. Quando Zé Pedro abriu a Joia Moderna, logo pensamos em fazer um disco com ela. O conceito do disco foi todo idealizado por mim e Zé Pedro participou fortemente na escolha do repertório.

Como você analisa a gravadora do Zé Pedro, Joia Moderna, dentro do cenário de hoje da Música Popular Brasileira?

Acho importante porque deu espaço a tantas cantoras maravilhosas que estavam fora do mercado fonográfico. Como Amelinha, Zezé Motta, Silvia Maria e outras.

Uma vez você comentou que o disco mais difícil que fez foi o projeto do Taiguara, por que?

Porque ninguém queria participar; as pessoas tem uma certa resistência com as canções dele. É difícil...

Você já realizou vários projetos com o Cauby Peixoto. Qual a importância desse nome para a nossa música?

Ele foi o maior cantor do Brasil. Fiz 2 DVD’s e estávamos caminhando para o décimo CD dele. Num espaço de quase dez anos. Foi um record, Ele tinha mercado é um público absurdo.



Nos seus discos você gosta sempre de colocar nomes consagrados com novos talentos. O que você tem como resultado nessa mistura?

Gosto de mostrar o encontro de gerações. Agora mesmo estou fazendo pelo Brasil um show de Angela Maria com Márcio Gomes, que é um cantor jovem do Rio de Janeiro que é um verdadeiro fenômeno de público lá e canta um repertório de canções dos anos de 1940, 1950 e 4960, que ninguém da geração dele faz.

Conta para a gente sobre o selo "Nova Estação", Nos conte ainda de alguns discos que já foram lançados pelo seu selo.

Abri um selo para lançar minha produções, embora continuo trabalhando para outras gravadoras. Lancei Angela e Cauby ("Reencontro") que ganhou vários prêmios, o CD e o DVD da Maria Alcina em celebração aos 40 anos de carreira dela, um CD de canções autorais da Alaíde Costa e outros trabalhos. 

Quais de seus novos projetos que estão chegando que você pode nos adiantar?

Vem aí Wanderléa cantando Sueli Costa e um outro projeto que é surpresa ainda reunindo 3 grandes cantoras de nossa música.


GANHADOR DO PRÊMIO DA MÚSICA BRASILEIRA



Na mesma noite que ganhou na categoria de Melhor Álbum em Língua Estrangeira, com "Cauby Sings Nat King Cole", que produziu no ano passado, disse no facebook: “Cauby foi um presente que a vida me deu profissional e afetivamente. Mesmo não estando entre nós ele continua me dando alegrias, como está agora...”Realizado e feliz com o  justo reconhecimento finalizou: “Esse prêmio é meu, de Daniel Bondaczuk,  Nancy Lara, e Ronaldo Rayol". 



COPACABANA SE FEZ NO RECIFE

Aconteceu na última segunda-feira, 20, na livraria Saraiva no Shipping RioMar o lançamento do livro “Welcome To Copacabana & outras Histórias” do jornalista e escritor Edney Silvestre. O decadente bairro carioca mas ainda charmoso cartão postal do Brasil para todo o mundo, no texto do autor se faz interessante em sua essência. Com personagens de todas as tribos que formam o universo que se tornou esse lugar. Senhoras solitárias, vizinhas inusitadas, garotos de programa e até mesmo um robô são peças de um quebra-cabeça que tem em sua montagem uma prazerosa leitura. Vidas interligadas por um único fio condutor a glamorosa Copa.

Muitos foram os nomes dos jornalistas que fazem a notícia em Pernambuco que foram prestigiar o querido colega. Entre eles Jô Mazzarolo, Francisco José e Beatriz Castro, escritores como Raimundo Carrero, Sidney Rocha e Andrea Nunes foram abraçar o amigo. O evento teve a cobertura da Rede Globo e dos fotografos  Renato Neves e Thiago Medeiros.

Edney leu um pouco do livro nos deixando aquele gostinho de quero mais. Conversou com a público, um papo descontraído e animado e depois autografou para uma fila de sedentos leitores.

Nessa época junina em que o forró nos invade a alma, o blog indica entre uma dança e outra a leitura de um dos contos. Para quem gosta da boa literatura é uma dica certeira. 

Fotos: internet


domingo, 19 de junho de 2016

CAROL SABOYA

Ela é Carioca

Por Cássio Cavalcante/ fotos: internet

“Ela é carioca/ Ela é carioca

Basta o jeitinho dela andar/ Nem ninguém tem carinho assim para dar/ Eu vejo na luz dos seus olhos/ As noites do Rio ao luar

Vejo a mesma luz/ Vejo o mesmo céu/ Vejo o mesmo mar...”

Parte da canção de Tom Jobim - Vinicius de Moraes

Veio para a Música Popular Brasileira com a disciplina e a pontualidade que aprendeu com o balé. E na pauta de sua carreira a coerência de ter que cantar a suas verdades. Com uma voz linda e cristalina Carol Saboya é dona de uma simpatia que nos encanta. Seja aqui no Brasil ou fora dele é respeitada como a formidável cantora que é. Ela é carioca e vê no carioca o jeito da música que gosta de cantar.


Você convive com música desde sempre, em casa, nas viagens com seu pai.  Participava das peças infantis que sua mãe escrevia. Com 15 anos você fez vocal no disco do Sergio Mendes. Até que ponto tudo isso interferiu por você se decidir por ser uma cantora?

Isso foi muito natural. Não foi uma coisa forçada. As oportunidades foram aparecendo sem eu ter aquele compromisso de querer ser cantora. É logico que as gravações e tudo eu levava muito a sério. Mas não era ainda: “Quando eu crescer eu quero ser cantora”. Eu sabia que ia ser alguma coisa ligada as artes. Eu fiz muito tempo Balé, teatro, esse era o ambiente onde eu me sentia bem. As coisas foram mais ou menos aparecendo os caminhos foram se abrindo. Aí eu fui para o lado do canto mesmo.

Você lançou dois discos no Japão. Lançou também alguns nos Estados Unidos e está prestes a lançar mais um. O que te move na tua carreira internacional?

Com o tempo esses meus últimos trabalhos, esse vai ser o meu décimo segundo disco se eu não me engano. Eu fui vendo até por ter um exemplo em casa o meu pai, com essa questão toda de produção independente e até sempre fazer o que tinha vontade. Tive esse exemplo dentro de casa por muito tempo. Depois que eu descobri que queria ser cantora, realmente focar nessa carreira. Eu pensei, eu não sou compositora, até já fiz poucas coisas. Então eu tinha que cantar a minha verdade. Sempre achar o que eu sinto vontade de cantar. Eu senti depois de alguns discos, a música aqui no Brasil o espaço dela foi se afunilando. Foram para outros caminhos, a grande mídia. E todas as vezes que eu tinha oportunidade de mostrar o meu trabalho fora daqui sempre fui muito bem recebida, muitos elogios. Então é como já dizia o Milton Nascimento, a gente vai onde o povo está e quer a gente. Eu sinto muito carinho e principalmente muito respeito lá fora pela nossa música. Que eu acho que é o que a gente faz de melhor na vida, no Brasil. A gente já chega com um cartão de visita maravilhoso. Por esta vontade de só cantar músicas de qualidade eu fui buscando um espaço, e esse espaço foi aparecendo muito no exterior.


E no Brasil como tua música é recebida?

Eu nunca sonhei ser uma pop star, nem foi o intuito. Não escolhi ser famosa. Escolhi cantar e obviamente que a gente que está no palco, que é artista, precisa do feed back do público. Das pessoas que ouvem a gente. Que isso aí é o que move realmente. Eu sinto que a internet ajudou muito porque abriu outros canais para isso. E as pessoas procuram e acham. Porque quando você procura acha. Eu também quando quero vou procurando e acho o que quero ouvir. No Brasil eu tenho sim um público. Mas é como te falei não quero ser uma pop star. Até pela situação que a gente vive. O que toca nas rádios nas tv’s abertas infelizmente não é o que eu canto. Uma pena. Mas continuo fazendo o que eu sinto que essa coerência que fazem os meus vinte anos de carreira. Até digo que quando comecei o meu padrinho foi o Aldir Blanc. Teve uma apresentação do disco que ele fez nos 50 anos dele. Eu cantei nesse disco uma música chamada “Carta de Pedra”, uma música linda dele. Teve uma apresentação no Canecão e eu cantei, ninguém sabia quem eu era. Depois ficaram muito em cima de mim. Que eu era uma menina nova que gostava de cantar coisas difíceis. Eu tinha feito faculdade de música, e nessa época, nesse primeiro momento, muitas gravadoras me procuraram. Mas queriam que eu cantasse o que eles achavam que eu deveria fazer. Seria o sucesso, o que ia vender. Mas eu em nenhum momento fiquei preocupada com isso. Ainda mais o primeiro disco. Eu queria escolher músicas que iam encaixar bem com a minha voz. O que eu estava com vontade de passar para as pessoas.

O Rio de Janeiro foi cenário de inspiração para muitas canções que se tornaram clássicos de nossa MPB. Para você o que é ser carioca?

Ser carioca... pois é. O Rio de Janeiro infelizmente está muito maltratado. Mas é de uma beleza natural que é incrível. Quando você pára para olhar vê essas montanhas, vê o mar. E carioca tem assim uma coisa no jeito de falar, de andar, que eu acho que é bem única. Eu sou carioca e obviamente eu tenho tudo isso. Eu acho que tem um charme quando a gente vai passar a nossa música, a Bossa Nova. Que nasceu aqui no Rio. Inclusive foi um estilo meio que me escolheu. Não fui eu: “Ah! Vou cantar Bossa Nova”, foi por conta dos discos do Japão. Os japoneses vinheram aqui e queriam uma cantora carioca, jovem, para cantar um repertório de Bossa Nova, assim bem clássico. Aí fiz dois discos. Então acho que o carioca essa coisa, essa malevolência que tem haver com o estilo que eu gosto de cantar.


Você estudou dança. Em algum momento a dança interfere no teu cantar?

Sim, acho que sim. Porque além da postura de palco que é importante. O tipo de música que eu canto não é Ivete Sangalo, que dança, que pula. É difícil, você tem que ter uma postura, mas não é uma coisa fria. Tem uma coisa com as mãos, mas que seja o mais natural possível. Eu acho que a dança foi muito importante nesse quesito, com postura e pontualidade, eu sou muito pontual. E isso tem haver com o balé. O balé tem essa coisa de rígido. Eu sou muito disciplinada. Quando entro em uma coisa entro de cabeça. Faço na hora, entrego no tempo. Sou bem ligada nisso.


Há mais de 20 anos você ensina música, qual tua maior realização como professora?

É muito bom dar aulas. Eu tenho também uma profissão de professora de canto. Uma profissão que também me escolheu. Eu nunca pensei em ensinar, não sabia que ia ter o dom. Às vezes você é um ótimo cantor mas não consegue passar, ter a didática, é diferente. E eu amo dar aulas, amo meus alunos, acho que eles são as nossas cobaias queridas. Porque a gente, no meu caso, no início de minha carreira de cantora eu experimentava com os alunos para ver como iria funcionar, no fundo comigo também. Hoje com mais experiência, além da aula básica eu passo muito conhecimento, experiência mesmo. Do que eu já passei e passo. Eu vejo os olhinhos deles brilhando. Felizes em estarem ouvindo aqui, porque está acrescentando. É um prazer que eu amo. Tenho muito aluno adolescente, vinte e poucos anos, assim. Que é uma praia que eu gosto muito, me identifico muito.

Tom Jobim foi um dos maiores músicos de nosso mundo. Como surgiu o projeto do teu CD, “Janelas Abertas”, ao lado de Nelson Faria? O que você quer nos contar deste seu disco?

“Janelas Abertas” foi um presente do Almir Chediak para a gente. Porque o Almir era muito amigo do meu pai, até eu fiz um programa com o Nelson “Um café lá em casa”, que a gente fala sobre esse assunto. A gente estava fazendo um duo, mas sem compromisso de disco, um duo para fazer show. Fomos fazer um show em Mauá, na serra do Rio, divisa com São Paulo e Minas. O Almir estava lá por acaso era um feriado, ele foi assistiu ao show e falou: “Poxa por que a gente não faz um disco? Vocês dois. Pegar o lado “B” do Tom Jobim. Vamos entrar em estúdio amanhã”. Aquelas coisas, o Almir era muito assim, de projetos e ideias. E a gente falou: “Vambora”. Foi um disco assim, chegar no estúdio e tocar.  Foi exatamente assim que aconteceu. A gente ia para o estúdio sem saber o que ia ser o arranjo e tal. Fizemos uma pesquisa de repertório com o Almir. Foi um disco que a gente fez muito show. Viajamos muito, nos divertimos muito. É um disco que muita gente adora, como você, e que fala até hoje. Foi, eu acho, que de 1999 se não me engano.

Nelson Faria e Carol Saboya.

Como é a tua relação musical com o teu pai, o músico Antonio Adolfo?


É muito boa. A gente já teve altos e baixos (risos). É uma arte, no meu caso, lidar com o meu pai como profissional. E separar, não tem como muito separar, é difícil. Mas a gente já trabalhou junto algumas vezes. Eu acho que a relação foi só melhorando. A gente se dá muito bem como pai e filha, há um respeito muito grande como profissional também. Tanto que já repeti várias parcerias com ele. Esse eu acho que é o terceiro disco que ele produz. Para mim é uma honra tê-lo como produtor e arranjador. Entrou no estúdio a gente esquece a trelação de pai e filha. Eu obedeço ao que ele fala, não retruco. Claro que eu tenho opiniões e tudo. Sem aquela coisa da intimidade de pai e filha. Ele é bastante exigente, Cássio, ainda mais com a filha. Aí ele fica mais exigente ainda para que seja o melhor disco da vida. (risos). Então acho que ele tem isso e eu também. Foi aprendendo. O primeiro disco que a gente fez juntos foi bem por acaso. Havíamos ensaiado essa parceria de disco junto e produção. E aí foi um show que a gente fez na Universidade de Miami. Foi gravado a gente ouviu e gostou. Não foi assim: “Vamos fazer um disco juntos”. A partir daí a gente fez mais um.

Carol Saboya e seu pai, o talentoso músico Antônio Adolfo.


O novo disco.



domingo, 12 de junho de 2016

NARA LEÃO

Mais que uma cantora uma personagem importante de nossa MBP

Por Cássio Cavalcante

Entrevista simulada respostas retiradas do livro “Nara Leão – A Musa dos Trópicos”, no capitulo “Opinião de Nara”.


O apartamento em Copacabana que morou foi um dos principais berços de um movimento musical que revolucionou a música universal. Primeira cantora branca da zona sul carioca a gravar samba de morro. Lançou nomes como Chico Buarque de Holanda, Edu Lobo, Suely Costa, Jardes Macalé. Com o golpe de 1964 cantando música de protesto foi símbolo nacional de resistência, depois cantou A Banda com todo o Brasil. Primeira interprete a gravar um disco somente com músicas de Roberto e Erasmo Carlos, com isso quebrando um preconceito existente na elite de nossa música. Foi a primeira artista brasileira a gravar no sistema compact disc. Gravou no Japão o CD “Garota de Ipanema”. Foi musa da Bossa Nova, apoiou o Tropicalismo, foi simpática a Jovem guarda, Nara Leão fez história na Música Popular Brasileira.

(Foto: Frederico Mendes)

Você participou ativamente dos festivais, páginas importantes da história da Música Popular Brasileira. Em 1966 cantando com Chico Buarque a Música “A Banda”, empatou no primeiro lugar com a canção “Disparada”, defendida por Jair Rodrigues. No ano seguinte cantando com Sidney Miller a música “A Estrada e o Violeiro”, ganhou o prêmio de melhor letra. 1972 foi uma jurada não muito querida pelo regime da época. Em 1982 no MPB Shel defendeu “Maravilha Curativa”, foi vaiada e fez um corte na canção. Como você analisa esses eventos em sua carreira?

“Sofri um desgaste muito grande, depois da época dos festivais, com a televisão me consumindo de tal forma que perdi a vontade de cantar. As pessoas não estavam querendo me ouvir, mas iam ver o mito. Às vezes, gritavam tento que eu nem cantava com tanto barulho. Apenas abria a boca e era aquele delírio. As pessoas urravam e isso me dava uma sensação muito estranha. Além disso, perdi minha vida privada”.

“O fato de você ser muito aplaudido ou até vaiado num festival, como eu fui no Maracanãzinho, não mede a capacidade de um artista. Acho que o arranjo de Antônio Adolfo é lindo e que cantei muito bem”.

Você lançou muitos nomes, que hoje são importantes para nossa música, entre eles Chico Buarque de Holanda. Como é cantar as composições de Chico?

“Em matéria de cantar eu me sinto como alma gêmea de todas as músicas do Chico”.
“Bom, eu não sei o que o Chico acha, mas eu combino muito com ele. Não sei se ele acha que combina comigo. Acredito que sim”.

“Não deveria ter apenas um disco com músicas do Chico. Por mim gravaria o nº 1, nº 2, nº 3. Igual a Waldir Calmon antigamente”.

(Foto: Frederico Mendes)

Em relação ao sucesso, como você lida com isso?

“Mas não aguentei a barra do sucesso: autógrafos, mil entrevistas por dia. Shows, viagens etc. Era uma roda-viva grande demais que me absorvia o tempo inteiro. Já não tinha tempo útil para mim”.

“O sucesso me agrada, mas não ao ponto de fazer esquecer que sou uma mulher antes de ser uma cantora”.

E como você encara o público?

“Anteriormente, confesso que ficava muito preocupada com o público. Não entendia bem aquele negócio de ídolo. Fiquei apavorada uma vez tive de deixar o local do show num camburão da polícia”,

“Não tenho mais dificuldade de encarar o público. Eu cantava de costas, tinha medo de errar. Também melhorei tecnicamente, tive aulas de canto. Eu ficava rouca a toda hora, agora não fico mais. Fundamentalmente, hoje eu tenho prazer em me apresentar. Gosto de ouvir o público cantando junto comigo”.

A MPB tem muitos estilos. Qual sua análise de nossa música?

“A música popular é riquíssima e há várias formas de cantá-la: o folclórico, o regional, o protesto, o lado romântico, e cada um deve decidir se lhe convém aderir a apenas um estilo ou variar. Não acho que ninguém tenha de repetir o meu comportamento, assim como não vejo por que repetir o dos outros”.

“A música brasileira tá muito bem. Hoje já existe uma coisa que há dez anos não era possível, as músicas regionais estão conseguindo ser mostradas. Hoje temos um Fagner, uma Amelinha que estão aí para provar isso”.

Ao longo de sua carreira sua voz foi sempre muito questionada. O que diz disso?

“Era uma malhação horrorosa. Existia uma coisa estabelecida e eu não estava nela. Talvez por isso eu tenha ficado tão na dúvida”.

“Eu tenho voz, sim, com licença. Se eu quiser solto um dó de peito e quebro aquele vidro. Eu gosto de cantar como eu canto. É minha opção”.

(Foto: Frederico Mendes)

O que você acha de nossa televisão?

“O que acontece agora é que a TV não divulga o artista. Somente o que está no Hit Parede”.

Para Nara Leão tudo começou com a Bossa Nova. Como você definiria esse gênero musical?

“A Bossa Nova trouxe uma batida diferente, inventada. Sua harmonia requintada, intimista, acabou com aquele negócio de todo mundo cantar gritando. Gosto de ver que os amigos da minha filha curtem a Bossa Nova e que na plateia dos meus shows os jovens dividem os lugares com o pessoal de minha geração”.


“Acho que influenciou muita gente. Agora mesmo, eu estava ouvindo músicas de sambistas de morro, e me deu um susto, porque tinha muito da Bossa Nova. Pelo que notei até os sambistas captaram o gênero”.