domingo, 22 de maio de 2016

BRENDA LÍGIA

Quando ser atriz é um ato natural

Por Cássio Cavalcante / Fotos: internet

Criança brincava de teatro, era autora, diretora produtora e tudo mais, quando ia começar o brinquedo e as luzes piscavam, seus olhos brilhavam. Hoje Brenda LÍgia é uma de nossas atrizes com atuação no teatro, cinema e televisão. Uma atriz que se faz em um misto de talento, seriedade no que faz e uma beleza que lhe deixa cheia de charme.


Uma das carreiras mais difíceis é a de atriz. O que mais a motivou prosseguir nessa jornada?

Venho do interior de Minas Gerais (Ibiá), região do extinto Quilombo do Ambrósio, no triângulo mineiro; minha família é enorme e cheia de primos. Quando criança, costumávamos brincar de teatro, encenando para a família inteira. Eu escrevia as falas de cada criança em papéis avulsos e fazia cada um decorar seu texto. Ensaiávamos com música e figurino, e até cobrávamos ingressos (em cruzeiro$... risos). Quando piscávamos as luzes para nossas apresentações, meus olhinhos brilhavam... Como eu gostava de tudo aquilo! Talvez tenha sido assim, com este encantamento despretensioso, que tudo começou. Já adolescente, comecei a estudar Teatro, em São Paulo. E as descobertas, no palco, foram realmente gratificantes! Percebi que este é meu caminho, pois, quando não estou atuando, sinto minha alma meio jururu, tadinha... É realmente uma jornada difícil, mas prazerosa.

O que te move nas interpretações de suas personagens?

Cada personagem se manifesta de maneira diferente e única. Os processos de criação também podem ser diversos... Inventa-se o modo de falar, de agir, de olhar. É riquíssimo! Atualmente estou estudando nova personagem para o curta-metragem “Causa Mortis”, de Luiz Rodrigues, e tem sido uma experiência incrível! Como é gostoso ir descobrindo as nuances de cada fala, cada pensamento, cada gesto, cada intenção da cena. É poderoso brincar de criar outra vida, abandonar-se por completo para que alguém inventado tome poder do seu corpo para se expressar numa obra artística. Para mim, é essa a magia que move minhas interpretações. Uma magia que se renova constantemente, nunca é igual, e sempre me transforma pessoal e profissionalmente.


Um dos principais instrumentos da arte que escolheu realizar é a aparência. Como você se mantem para estar bem quando se apresenta ao seu público?

Estou aprendendo a me aceitar como sou, cada vez mais. Acho que um “segredo de beleza” infalível é, sinceramente, estar feliz consigo! Perceba: quando a pessoa está contente, fica iluminada, com brilho nos olhos e alma leve. Esta receita pode ser mais saudável que malhação, tratamentos estéticos, e/ou recursos externos. Sim, parece clichê, mas a felicidade deve vir de dentro da gente! Para apresentar-se ao público, o fundamental, mesmo, é estar completamente entregue àquilo que se está fazendo. Quando atingimos este estágio, em cena, crescemos tanto que a aparência física torna-se secundária. Em primeiro lugar, obviamente, vem o talento. Os atores mais incríveis que conheço não se encaixam nos ideais de beleza padrão, vale lembrar.

Qual a história do projeto do curta “Diva”, que você participa que está fazendo sucesso em vários festivais como o I Festival de Triunfo? E nos conte ainda do Filme “Todas as cores da noite”.

“Todas as Cores da Noite” é um longa-metragem do brilhante cineasta Pedro Severien, que vem sendo exibido em diversos festivais no Brasil e nos Estados Unidos (próximas exibições no festival de Dallas, nos Estados Unidos, e na Mostra do Filme Livre de SP,RJ,MG,DF: https://www.facebook.com/todasascoresdanoite/ ). Aprendi muito com o filme do Pedro, que é, sem dúvida, o longa-metragem mais importante da minha carreira. Fala sobre violência e vazio existencial da nossa sociedade, entre outras coisas que também incomodam. “Todas as Cores da Noite” realmente me emociona; agradeço muito por esta oportunidade única.
“Diva” é um curta-metragem de Luiz Rodrigues (mesmo diretor de “Causa Mortis”, meu próximo projeto em cinema). Luiz, roteirista e diretor, tem um grande talento para o cinema; adoro trabalhar com ele. Ele tem muita confiança no meu trabalho: me ofereceu o papel de protagonista em Diva, onde dou vida a uma atriz que entra em crise no camarim, no intervalo entre dois atos teatrais. No filme, contraceno comigo mesma; é uma loucura em linguagem teatral. Gosto muito do resultado deste filme! Em breve será exibido em um dos maiores festivais de cinema da cidade. Já percorremos mais de 6 festivais de cinema, inclusive internacionais. Luiz é fera!

Como aconteceu de você, mineira, abraçar Pernambuco como lar?

Aconteceu que, há 11 anos, estava pulando carnaval em Olinda, quando dei de cara com minha alma gêmea (isso existe? –risos): era meu marido. Namoramos à distância por um tempo, eu em São Paulo, ele no Rio, e depois no Recife. Entre idas e vindas, com a maturidade da relação, resolvemos ficar juntos pra valer. E, há quase 7 anos, Pernambuco é nosso lar. Amo esta cidade, onde pulsa a arte, a cultura e o amor. Meu filho é pernambucano; meu coração está fincado nesta terra boa.


O nascimento de seu filho foi um divisor de águas em sua vida?

A chegada de um bebê na vida de uma mulher, certamente, muda tudo. Tudo mesmo. Sobretudo da forma como foi: planejado, desejado. Meu filho nasceu na água, numa piscina de plástico colorido, num parto humanizado que parecia um sonho. Nasceu nadando, o peixinho da mamãe, com os olhinhos abertos embaixo d’água. Foi forte, intenso e visceral. Acredito que nada será como antes. Aprendo todos os dias com Raul. Ele é meu norte, esse bebê... O grande companheiro da mamãe, pra toda vida. Como dizem: “ter um filho é aceitar que seu coração vai andar por fora do seu corpo a vida inteira”. Haja coração! Sou toda coração... risos.


A vida é um processo que segue, quais os novos projetos que você pode nos adiantar?

Estamos ensaiando para a gravação deste curta-metragem, “Causa Mortis”, que acontecerá no final de abril. É um filme interessantíssimo, do gênero de cinema fantástico. Acho que teremos muitas surpresas!
E, para 2016, planejo o desenvolvimento do meu próximo projeto em cinema: “Nove Meses” (título provisório), um documentário dirigido e editado por mim.
No mais, estou disponível para futuros trabalhos! Tenho certeza que esta entrevista vai me trazer boa sorte... vamos seguindo em frente, pelo amor à arte!
Muito obrigada pela oportunidade, Cássio. Abraços a todos!









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