Quando ser
atriz é um ato natural
Por Cássio
Cavalcante / Fotos: internet
Criança brincava de teatro, era
autora, diretora produtora e tudo mais, quando ia começar o brinquedo e as
luzes piscavam, seus olhos brilhavam. Hoje Brenda LÍgia é uma de nossas atrizes
com atuação no teatro, cinema e televisão. Uma atriz que se faz em um misto de
talento, seriedade no que faz e uma beleza que lhe deixa cheia de charme.
Uma das
carreiras mais difíceis é a de atriz. O que mais a motivou prosseguir nessa
jornada?
Venho do interior de Minas Gerais
(Ibiá), região do extinto Quilombo do Ambrósio, no triângulo mineiro; minha
família é enorme e cheia de primos. Quando criança, costumávamos brincar de
teatro, encenando para a família inteira. Eu escrevia as falas de cada criança em
papéis avulsos e fazia cada um decorar seu texto. Ensaiávamos com música e
figurino, e até cobrávamos ingressos (em cruzeiro$... risos). Quando piscávamos
as luzes para nossas apresentações, meus olhinhos brilhavam... Como eu gostava
de tudo aquilo! Talvez tenha sido assim, com este encantamento despretensioso,
que tudo começou. Já adolescente, comecei a estudar Teatro, em São Paulo. E as
descobertas, no palco, foram realmente gratificantes! Percebi que este é meu
caminho, pois, quando não estou atuando, sinto minha alma meio jururu,
tadinha... É realmente uma jornada difícil, mas prazerosa.
O que te
move nas interpretações de suas personagens?
Cada personagem se manifesta de
maneira diferente e única. Os processos de criação também podem ser diversos...
Inventa-se o modo de falar, de agir, de olhar. É riquíssimo! Atualmente estou
estudando nova personagem para o curta-metragem “Causa Mortis”, de Luiz
Rodrigues, e tem sido uma experiência incrível! Como é gostoso ir descobrindo
as nuances de cada fala, cada pensamento, cada gesto, cada intenção da cena. É poderoso
brincar de criar outra vida, abandonar-se por completo para que alguém
inventado tome poder do seu corpo para se expressar numa obra artística. Para
mim, é essa a magia que move minhas interpretações. Uma magia que se renova
constantemente, nunca é igual, e sempre me transforma pessoal e
profissionalmente.
Um dos
principais instrumentos da arte que escolheu realizar é a aparência. Como você
se mantem para estar bem quando se apresenta ao seu público?
Estou aprendendo a me aceitar
como sou, cada vez mais. Acho que um “segredo de beleza” infalível é, sinceramente,
estar feliz consigo! Perceba: quando a pessoa está contente, fica iluminada,
com brilho nos olhos e alma leve. Esta receita pode ser mais saudável que
malhação, tratamentos estéticos, e/ou recursos externos. Sim, parece clichê,
mas a felicidade deve vir de dentro da gente! Para apresentar-se ao público, o
fundamental, mesmo, é estar completamente entregue àquilo que se está fazendo. Quando
atingimos este estágio, em cena, crescemos tanto que a aparência física
torna-se secundária. Em primeiro lugar, obviamente, vem o talento. Os atores
mais incríveis que conheço não se encaixam nos ideais de beleza padrão, vale
lembrar.
Qual a história
do projeto do curta “Diva”, que você participa que está fazendo sucesso em
vários festivais como o I Festival de Triunfo? E nos conte ainda do Filme
“Todas as cores da noite”.
“Todas as Cores da Noite” é um
longa-metragem do brilhante cineasta Pedro Severien, que vem sendo exibido em
diversos festivais no Brasil e nos Estados Unidos (próximas exibições no
festival de Dallas, nos Estados Unidos, e na Mostra do Filme Livre de
SP,RJ,MG,DF: https://www.facebook.com/todasascoresdanoite/
). Aprendi muito com o filme do Pedro, que é, sem dúvida, o longa-metragem mais
importante da minha carreira. Fala sobre violência e vazio existencial da nossa
sociedade, entre outras coisas que também incomodam. “Todas as Cores da Noite”
realmente me emociona; agradeço muito por esta oportunidade única.
“Diva” é um curta-metragem de
Luiz Rodrigues (mesmo diretor de “Causa Mortis”, meu próximo projeto em
cinema). Luiz, roteirista e diretor, tem um grande talento para o cinema; adoro
trabalhar com ele. Ele tem muita confiança no meu trabalho: me ofereceu o papel
de protagonista em Diva, onde dou vida a uma atriz que entra em crise no
camarim, no intervalo entre dois atos teatrais. No filme, contraceno comigo
mesma; é uma loucura em linguagem teatral. Gosto muito do resultado deste
filme! Em breve será exibido em um dos maiores festivais de cinema da cidade. Já
percorremos mais de 6 festivais de cinema, inclusive internacionais. Luiz é
fera!
Como
aconteceu de você, mineira, abraçar Pernambuco como lar?
Aconteceu que, há 11 anos, estava
pulando carnaval em Olinda, quando dei de cara com minha alma gêmea (isso
existe? –risos): era meu marido. Namoramos à distância por um tempo, eu em São
Paulo, ele no Rio, e depois no Recife. Entre idas e vindas, com a maturidade da
relação, resolvemos ficar juntos pra valer. E, há quase 7 anos, Pernambuco é
nosso lar. Amo esta cidade, onde pulsa a arte, a cultura e o amor. Meu filho é
pernambucano; meu coração está fincado nesta terra boa.
O nascimento
de seu filho foi um divisor de águas em sua vida?
A chegada de um bebê na vida de
uma mulher, certamente, muda tudo. Tudo mesmo. Sobretudo da forma como foi:
planejado, desejado. Meu filho nasceu na água, numa piscina de plástico
colorido, num parto humanizado que parecia um sonho. Nasceu nadando, o peixinho
da mamãe, com os olhinhos abertos embaixo d’água. Foi forte, intenso e
visceral. Acredito que nada será como antes. Aprendo todos os dias com Raul.
Ele é meu norte, esse bebê... O grande companheiro da mamãe, pra toda vida.
Como dizem: “ter um filho é aceitar que seu coração vai andar por fora do seu
corpo a vida inteira”. Haja coração! Sou toda coração... risos.
A vida é um
processo que segue, quais os novos projetos que você pode nos adiantar?
Estamos ensaiando para a gravação
deste curta-metragem, “Causa Mortis”, que acontecerá no final de abril. É um
filme interessantíssimo, do gênero de cinema fantástico. Acho que teremos
muitas surpresas!
E, para 2016, planejo o
desenvolvimento do meu próximo projeto em cinema: “Nove Meses” (título
provisório), um documentário dirigido e editado por mim.
No mais, estou disponível para
futuros trabalhos! Tenho certeza que esta entrevista vai me trazer boa sorte...
vamos seguindo em frente, pelo amor à arte!
Muito obrigada pela oportunidade,
Cássio. Abraços a todos!







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