Uma Voz Inesquecível
Por Cássio Cavalcante/ fotos: internet
No primeiro
disco teve o presente especial da participação de Chico Buarque de Holanda.
Cantora, atriz e historiadora na verdade são muitas em uma só, mas acaba sempre
encontrando uma unidade de equilíbrio. Basta escutar Rira Gullo apenas uma vez.
Pronto, jamais esqueceremos. Está cravado em nós a recordação de um tão belo
cantar.
Como você se descobriu uma
cantora?
Eu comecei a
estudar violão clássico quando ainda era criança. Tive um professor genial que
me ensinava algumas canções populares para tornar o estudo um pouco mais
lúdico. Cantava para acompanhar o violão até que a ordem se inverteu. O canto
se tornou meu instrumento.
O primeiro disco a gente nunca
esquece. O seu teve a participação de Chico Buarque e do compositor e
violinista Mário Gil. Foi indicado para o prêmio da Música Brasileira. Depois
do projeto materializado ele atendeu a todas as suas expectativas?
Eu adoro
aquele disco. A gente conseguiu reunir um time de músicos do Olimpo. E quando
aconteceu do Chico Buarque fazer uma participação, foi a cereja do bolo. Mas eu
devo muito ao Mario Gil por ter me guiado nesse começo de tudo. Foi minha
estreia no mundo profissional da música. Ele me acolheu com muito carinho e
acreditou no que a gente estava fazendo. É um profissional impecável e uma
pessoa como poucas.
Além de cantora, atriz e
historiadora. Como administra essas três em você?
Às vezes
parece um pouco esquizofrênico, com vários caminhos sendo seguidos ao mesmo
tempo. Mas a gente acaba encontrando uma maneira de fazer tudo convergir. Até a
historiadora acabou que me fez pesquisadora de história da música, com livros
publicados e tudo.
Como surgiu o show “Solidão no
fundo da agulha”, com você e o seu pai, o escritor Ignácio de Loyola Brandão?
Nasceu de um
livro de memórias. Memórias que são resgatadas pela música. Momentos da vida
dele, contados ou romanceados, que foram iluminados por alguma canção. E dentro
do livro vai um cd com a minha interpretação daquelas músicas. Foi um projeto
feito a convite da Fundação Carlos Chagas, através da Sandra e da Mariana, que
levavam lá o Livros Para Todos. Daí veio a ideia de transformar o livro em
show. São histórias intercaladas por músicas. Pai e filha juntos no palco. Deu
tão certo que a gente já está rodando com ele há uns dois anos já e sem vontade
de parar.
Por que escrever livros contando
a história dos ritmos brasileiros?
Esses livros
nasceram da vontade de contar um pouco da nossa música para as crianças. Nasceu
de uma necessidade particular da jornalista Carla Gullo, minha tia, que queria
introduzir a música brasileira no universo das filhas dela. Não encontrava na
literatura aquilo que ela queria e resolveu arregaçar as mangas. Nos juntamos,
eu, ela e outro jornalista, o Camilo Vanucchi, que também adora música e
acabamos criando uma série com dois volumes já publicados pela Ed. Moderna com
o selo Ritmos do Brasil. O primeiro foi Samba e Bossa Nova, o segundo Choro e
Música Caipira e vem vindo Jovem Guarda e Tropicália logo mais.
Você participou das peças com a
Cia do Elevador: “A ilha desconhecida” e “A hora em que não sabíamos nada uns
dos outros”. O que te move como atriz?
A
transformação que acontece em cada trabalho. No teatro é tudo sempre muito
intenso, muito trabalho, muito ensaio e é um exercício se colocar na pele do
personagem. Me ajudou bastante para o trabalho de palco como cantora também. É
um intensivo de aprendizagem.
O clássico de Lupicínio
Rodrigues, “Nunca”, foi gravada por você em uma das mais belas interpretações
que essa música já teve. Por que a escolha dessa canção?
Eu escolho
as canções que fazem sentido para mim, que me tocam, que reverberam, que me transformam.
Essa é uma delas. Tem muita força porque une bela melodia e bom conteúdo. Para
mim, esse é o casamento perfeito. E obrigada pelo elogio. Mesmo.
Qual a importância que a música,
o canto, tem na vida de Rita Gullo?
É a minha
via de comunicação com o mundo.






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